Polegar do Esquiador (Entorse do Polegar) — Tratamento Especializado em São Paulo

Raio-X do polegar do esquiador: fragmento ósseo arrancado pelo ligamento colateral ulnar na base do polegar
Raio-X do polegar do esquiador: fragmento ósseo arrancado pelo ligamento colateral ulnar na base do polegar — Fonte: Hellerhoff / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (adaptada)

Revisado por Dr. Marcelo Teixeira, cirurgião da mão (CRM/SP 230359, RQE 130740) · Atualizado em 27 de setembro de 2026

O polegar do esquiador é a entorse ou ruptura do ligamento colateral ulnar da articulação metacarpofalângica do polegar — o ligamento do lado do indicador que estabiliza a base do polegar na pinça. Responde por até 86% das lesões dessa articulação, com cerca de 50 casos por 100 mil pessoas por ano. Na forma crônica, é chamado de polegar do guarda-caça.

A lesão acontece quando o polegar é forçado para fora — numa queda segurando o bastão de esqui, numa bolada ou numa queda com a mão aberta. Cerca de 75% das lesões agudas são rupturas completas. O ponto crítico é a lesão de Stener: o ligamento rompido fica preso por cima da aponeurose do músculo adutor e, por isso, não consegue cicatrizar no osso, por mais tempo que se imobilize. Lesões parciais cicatrizam com tala em 84% dos casos; rupturas completas instáveis e lesões de Stener precisam de reparo cirúrgico, que devolve estabilidade e força de pinça praticamente iguais às do lado normal.

Lesão de Stener: ligamento colateral ulnar do polegar rompido e preso sobre a aponeurose do adutor
Na lesão de Stener, o ligamento colateral ulnar rompido fica preso por cima da aponeurose do adutor e não consegue cicatrizar no osso

Polegar do Esquiador (Entorse do Polegar) em números

  • até 86% das lesões da articulação da base do polegar envolvem o ligamento colateral ulnar (Fonte: Orbenes N et al., Arch Orthop Trauma Surg, 2025)
  • ~75% das lesões agudas do ligamento são rupturas completas (Fonte: de Haas L et al., Trials, 2024)
  • 95% / 94% sensibilidade e especificidade do ultrassom para a lesão de Stener (Fonte: Qamhawi Z et al., J Hand Surg Eur, 2021)
  • 101% da força de pinça do lado normal após o reparo com âncora (Fonte: Katolik LI et al., Plast Reconstr Surg, 2008)

Sintomas

  • Dor e Inchaço na Base do Polegar — Dor e inchaço do lado do indicador da articulação entre o polegar e a mão, às vezes com hematoma.
  • Fraqueza para Pinçar — Dificuldade para segurar uma chave, abrir um pote, girar a maçaneta ou escrever — movimentos que dependem da pinça.
  • Polegar 'Frouxo' ou Instável — Sensação de que o polegar 'abre' demais ou falseia ao segurar objetos — sinal de ruptura completa.
  • Caroço na Base do Polegar — Um nódulo palpável do lado do indicador pode indicar a lesão de Stener, quando o ligamento rompido fica preso por cima do tendão.

Quando se preocupar: Procure avaliação em até 1 a 2 semanas se o polegar ficou inchado e dolorido após ser forçado para fora — principalmente se houver fraqueza para pinçar, sensação de polegar frouxo ou um caroço na base. Rupturas completas com lesão de Stener não cicatrizam sozinhas, e o reparo é mais simples e previsível quando feito cedo.

Causas e fatores de risco

  • Queda Segurando o Bastão de Esqui — O mecanismo clássico: na queda, o bastão força o polegar para fora e rompe o ligamento — daí o nome 'polegar do esquiador'.
  • Esportes com Bola — Vôlei, basquete, handebol, futebol (especialmente goleiros) e lutas — boladas e impactos que forçam o polegar para trás.
  • Queda com a Mão Aberta — Apoiar a mão no chão com o polegar afastado também pode romper o ligamento, em qualquer idade.
  • Estresse Repetitivo (Forma Crônica) — Movimentos repetidos de força com o polegar afrouxam o ligamento aos poucos — é o 'polegar do guarda-caça'.

Como é feito o diagnóstico

Testo a estabilidade da articulação forçando suavemente o polegar para fora, com ele esticado e dobrado a 30°, e comparo com o outro lado — às vezes com anestesia local para o teste não doer. Abertura maior que 30-35° (ou 15-20° a mais que o lado normal) e, principalmente, a falta de um 'ponto de parada' firme indicam ruptura completa. O exame clínico tem sensibilidade de 97% para descartar a lesão.

A radiografia mostra se houve arrancamento de um fragmento ósseo junto com o ligamento. O ultrassom é um ótimo primeiro exame para a lesão de Stener (sensibilidade de 95% e especificidade de 94%), e a ressonância magnética confirma rupturas com especificidade de 98% a 100% — útil quando o exame clínico deixa dúvida.

Opções de tratamento

  1. Tala ou Gesso (Lesão Parcial) (Conservador) — Lesões parciais, com ponto de parada firme: imobilização do polegar por 4 a 6 semanas. Em 84% dos casos o ligamento cicatriza sem instabilidade.
  2. Reparo com Âncora (Ruptura Completa) (Padrão-Ouro) — Rupturas completas instáveis e lesões de Stener: reinserção do ligamento no osso com uma pequena âncora. Força de pinça de 101% do lado normal e menos complicações que a técnica com fio e botão (7% x 27%).
  3. Fixação do Fragmento Ósseo (Cirúrgico) — Quando o ligamento arranca um pedaço de osso desviado mais de 2-3 mm ou rodado: o fragmento é recolocado e fixado.
  4. Reconstrução ou Artrodese (Lesão Crônica) (Crônico) — Lesões antigas sem ligamento aproveitável: reconstrução com enxerto de tendão, com resultados semelhantes aos do reparo agudo. Com artrose, a artrodese da articulação alivia a dor e mantém a pinça forte.

Quando há cirurgia: duração de 30-60 minutos, anestesia regional ou local (walant), recuperação de 6-12 semanas.

Recuperação

  1. 0-2 Semanas — Tala protegendo o polegar, com os outros dedos livres. Em atletas, técnicas com reforço de fita de sutura permitem movimentos protegidos em poucos dias.
  2. 2-6 Semanas — Imobilização por cerca de 4 a 6 semanas, no tratamento conservador ou após a cirurgia.
  3. 6-12 Semanas — Retirada da tala, ganho de movimento e fortalecimento progressivo da pinça, com tala de proteção nas atividades de risco.
  4. Retorno ao Esporte — Em geral por volta de 3 meses. Em atletas profissionais com reparo reforçado e reabilitação acelerada, o retorno já foi descrito em 5 a 6 semanas.

Perguntas frequentes

O polegar do esquiador é uma fratura?
Não. É uma lesão de ligamento. Em alguns casos, o ligamento arranca um pequeno fragmento de osso junto (fratura-avulsão), que aparece na radiografia e pode precisar ser fixado se estiver desviado.
Preciso operar?
Depende do tipo de lesão. Lesões parciais, com o polegar estável, cicatrizam com tala em 84% dos casos. Rupturas completas instáveis, lesões de Stener e fragmentos ósseos desviados geralmente precisam de reparo cirúrgico.
O que é a lesão de Stener?
É quando o ligamento rompido se retrai e fica preso por cima da aponeurose do músculo adutor do polegar. Com esse tecido no meio, o ligamento não consegue encostar no osso para cicatrizar, por mais tempo que se imobilize. Aparece em 11% a 87% das rupturas completas, conforme o estudo, e é indicação de cirurgia.
Preciso fazer ressonância?
Nem sempre. O exame clínico feito por especialista tem sensibilidade de 97% para descartar a lesão. Quando há dúvida, o ultrassom é um ótimo primeiro exame para a lesão de Stener (95% de sensibilidade) e a ressonância confirma a ruptura com especificidade de até 100%.
Quanto tempo fico de tala?
Em geral de 4 a 6 semanas, tanto no tratamento conservador quanto após a cirurgia. Depois, a tala é usada apenas para proteção em atividades de risco enquanto a força é recuperada.
E se eu não tratar?
Uma ruptura completa sem tratamento pode deixar o polegar instável, com a pinça fraca e dolorosa, e evoluir para artrose da articulação. A boa notícia é que, mesmo em lesões antigas, a reconstrução do ligamento tem resultados semelhantes aos do reparo agudo em revisões sistemáticas.
Quando posso voltar a esquiar ou jogar?
Geralmente por volta de 3 meses, após recuperar estabilidade e força de pinça. Em atletas profissionais, reparos reforçados com fita de sutura e reabilitação acelerada permitiram retorno em 5 a 6 semanas.
A cirurgia tem bom resultado?
Sim. Uma meta-análise de 29 estudos mostrou bons resultados de dor, estabilidade, força e retorno ao trabalho com todas as técnicas. Com o reparo por âncora, a força de pinça chegou a 101% do lado normal e o movimento a 97%.

Referências científicas

  1. Orbenes N, Moog P, Woertler K, et al. The accuracy of MRI diagnosis of thumb ulnar collateral ligament injuries over physical examination in clinical decision-making for surgery. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2025.
  2. de Haas L, van Hoorn B, van de Lücht V, et al. Study protocol for a multicenter non-inferiority randomized controlled trial of cast immobilization versus immediate operative treatment for complete ulnar collateral ligament ruptures, including Stener lesions: MUSCAT study. Trials, 2024.
  3. Qamhawi Z, Shah K, Kiernan G, et al. Diagnostic accuracy of ultrasound and magnetic resonance imaging in detecting Stener lesions of the thumb: systematic review and meta-analysis. Journal of Hand Surgery (European), 2021.
  4. Rashidi A, Haj-Mirzaian A, Dalili D, Fritz B, Fritz J. Evidence-based use of clinical examination, ultrasonography, and MRI for diagnosing ulnar collateral ligament tears of the metacarpophalangeal joint of the thumb: systematic review and meta-analysis. European Radiology, 2021.
  5. McKeon KE, Gelberman RH, Calfee RP. Ulnar collateral ligament injuries of the thumb: phalangeal translation during valgus stress in human cadavera. Journal of Bone and Joint Surgery (American), 2013.
  6. Rhee PC, Jones DB, Kakar S. Management of thumb metacarpophalangeal ulnar collateral ligament injuries. Journal of Bone and Joint Surgery (American), 2012.
  7. Selsky AD, Ilyas AM. Thumb ulnar collateral ligament tear repair. Journal of Medical Insight (JOMI), 2021.
  8. Katolik LI, Friedrich J, Trumble TE. Repair of acute ulnar collateral ligament injuries of the thumb metacarpophalangeal joint: a retrospective comparison of pull-out sutures and bone anchor techniques. Plastic and Reconstructive Surgery, 2008.
  9. Legerstee IWF, Derksen BM, van der Oest MJW, et al. Clinical outcomes after primary repair for thumb ulnar collateral ligament ruptures: a systematic review and meta-analysis. Journal of Hand Surgery (European), 2024.
  10. Samora JB, Harris JD, Griesser MJ, Ruff ME, Awan HM. Outcomes after injury to the thumb ulnar collateral ligament — a systematic review. Clinical Journal of Sport Medicine, 2013.
  11. Chang AL, Merkow DB, Bookman JS, Glickel SZ. Thumb metacarpophalangeal joint ulnar collateral ligament injuries: management and biomechanical evaluation. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2023.
  12. Parikh HB, Herman MC, Phillips AR, Shin SS. Accelerated rehabilitation following thumb ulnar collateral ligament repair with suture tape augmentation: a case series of professional basketball players. Journal of Hand Therapy, 2022.
  13. Dar QA, Avoricani A, Hayes WT, et al. Biomechanical comparison of 3 thumb ulnar collateral ligament repair methods. Journal of Hand Surgery (American), 2023.

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