Dedo em Martelo

Por Dr. Marcelo Teixeira · 19 de Março, 2026 · Leitura: 5 min · Condições Comuns

Você sofreu uma lesão na ponta do dedo durante um jogo de vôlei ou basquete e agora não consegue esticá-lo completamente? Talvez tenha batido o dedo em uma porta ou objeto e percebeu que ele ficou permanentemente dobrado para baixo, como um martelo. Ou ainda, notou que mesmo tentando forçar, a ponta do dedo não se move e permanece em uma posição curvada. Esses sinais indicam o dedo em martelo, uma lesão que pode ser puramente tendínea ou envolver também fratura óssea, e que requer tratamento especializado para evitar deformidade permanente.

O que é o dedo em martelo?

Imagine o tendão que estica a ponta do seu dedo como uma corda que puxa o dedo para cima. O dedo em martelo acontece quando essa "corda" se rompe ou quando o osso onde ela se insere se quebra, impedindo que você consiga esticar completamente a ponta do dedo. Existem dois tipos principais desta lesão: o dedo em martelo tendíneo, onde apenas o tendão se rompe, e o dedo em martelo ósseo, onde há uma fratura do osso da ponta do dedo junto com a lesão do tendão. Ambos resultam na mesma deformidade característica, mas têm tratamentos diferentes e prognósticos distintos.

Sintomas mais comuns

O sintoma principal é a impossibilidade de esticar completamente a ponta do dedo, que permanece dobrada para baixo em uma posição que lembra um martelo. Há dor e inchaço na região da lesão, especialmente ao tentar movimentar o dedo. No tipo ósseo, é comum aparecer um hematoma (roxo) mais intenso na ponta do dedo. A deformidade é imediatamente visível após a lesão e, diferentemente de outras lesões, não melhora espontaneamente com o tempo. Muitas pessoas tentam forçar o movimento, mas isso pode piorar a lesão e deve ser evitado.

Principais causas e fatores de risco

As atividades esportivas, especialmente aquelas que envolvem bolas (vôlei, basquete, handebol), são as causas mais comuns do dedo em martelo. Acidentes domésticos, como bater o dedo em portas, gavetas ou objetos, também são frequentes. Traumas diretos na ponta do dedo, seja no trabalho ou durante outras atividades, podem causar tanto o tipo tendíneo quanto o ósseo. Pessoas mais velhas têm maior risco devido à maior fragilidade dos tendões e ossos. O tipo tendíneo é mais comum em atletas jovens, enquanto o tipo ósseo pode ocorrer em qualquer idade, dependendo da intensidade do trauma.

Quando procurar ajuda médica

Procure ajuda médica imediatamente se, após uma lesão no dedo, você não conseguir esticá-lo completamente. Não espere para ver se vai melhorar sozinho, pois o tempo é fundamental para o sucesso do tratamento. Se há deformidade visível, dor intensa, inchaço significativo ou hematoma extenso, a avaliação deve ser urgente. Mesmo que a dor seja tolerável, a incapacidade de estender o dedo é um sinal claro de que algo está errado e precisa de tratamento especializado. O diagnóstico precoce e correto é essencial para evitar deformidade permanente e perda de função.

Opções de tratamento

O tratamento varia significativamente entre os dois tipos de dedo em martelo. No tipo tendíneo, o tratamento conservador com órtese específica que mantém o dedo esticado por 6 a 8 semanas é frequentemente eficaz. É fundamental que a imobilização seja rigorosa e contínua para permitir a cicatrização do tendão. No tipo ósseo, especialmente quando há um fragmento grande de osso, pode ser necessária cirurgia para fixar a fratura com fios ou parafusos pequenos. Em casos onde o tratamento conservador falha ou quando o diagnóstico é tardio, a cirurgia para reparar ou reconstruir o tendão pode ser necessária. O importante é que cada tipo tem sua abordagem específica e o tratamento deve ser individualizado.

Se você reconhece esses sintomas após uma lesão no dedo, não deixe que se torne uma deformidade permanente. Procure um especialista em cirurgia da mão para uma avaliação imediata e orientação sobre o melhor tratamento para seu tipo específico de lesão.

Tratamento especializado

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Sobre o Especialista

Dr. Marcelo Teixeira é cirurgião da mão e microcirurgião com formação na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo). Membro da SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão) e da ASSH (American Society for Surgery of the Hand). CRM/SP 230359.

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