Dor no Punho: 7 Causas Comuns e Como Diferenciar
Por Dr. Marcelo Teixeira · 3 de Abril, 2026 · Leitura: 15 min · Guia Diagnóstico
Você está digitando no computador e sente um formigamento estranho nos dedos. Ou tenta abrir uma garrafa e uma pontada aguda surge no lado do punho. Talvez tenha acordado no meio da noite com a mão dormente, sem saber por quê. Essas situações são mais comuns do que você imagina — e todas têm algo em comum: a dor no punho pode ter origens muito diferentes, e cada uma delas exige um tratamento específico.
Dor no punho: o que pode ser?
Dor no punho é um sintoma, não um diagnóstico. Por trás de um "punho doendo" podem existir problemas que vão desde a compressão de um nervo até o desgaste de uma articulação, passando por inflamação de tendões, cistos e fraturas que às vezes passam despercebidas. O diagnóstico correto muda completamente a abordagem: um tratamento que funciona para uma dessas condições pode ser inútil — ou até prejudicial — para outra.
Neste artigo, você vai conhecer as 7 causas mais comuns de dor no punho, aprender a reconhecer os sinais que diferenciam cada uma delas e entender quando é hora de procurar um especialista. Importante: este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica presencial. Se você está com dor no punho, procure um cirurgião de mão para um diagnóstico preciso.
1. Síndrome do Túnel do Carpo — quando os dedos formigam e a mão adormece
O que é
A Síndrome do Túnel do Carpo é a compressão do nervo mediano — um nervo que passa por um canal estreito no punho chamado túnel do carpo. Imagine um túnel rodoviário lotado: quando o espaço diminui, tudo que passa por dentro fica apertado. É exatamente isso que acontece com o nervo mediano quando os tecidos ao redor dele incham ou engrossam.
Como a dor se apresenta
O sintoma mais marcante não é exatamente dor, mas formigamento e dormência nos dedos polegar, indicador, médio e metade do anelar. A sensação costuma ser descrita como "mão adormecida" ou "agulhadas nos dedos". Os sintomas tipicamente pioram à noite — muitas pessoas acordam de madrugada precisando sacudir a mão para recuperar a sensação. Também costuma piorar ao segurar o volante, o celular ou qualquer objeto por tempo prolongado. Em fases mais avançadas, pode ocorrer fraqueza na mão e dificuldade para segurar objetos pequenos.
Quem é mais afetado
A Síndrome do Túnel do Carpo é mais comum em mulheres, com uma incidência cerca de 3 vezes maior do que em homens. A faixa etária mais afetada é entre 40 e 60 anos. Fatores de risco incluem gravidez, diabetes, hipotireoidismo, obesidade e atividades que envolvem movimentos repetitivos das mãos, como digitação prolongada ou trabalho em linha de montagem.
Sinal característico que diferencia
Se você acorda de madrugada com a mão formigando e precisa sacudi-la para melhorar, e o formigamento afeta especificamente o polegar, indicador e médio — provavelmente é a Síndrome do Túnel do Carpo. Nenhuma das outras 6 condições desta lista provoca esse padrão noturno tão típico de dormência nesses dedos específicos.
Quando se preocupar
Procure avaliação urgente se notar fraqueza para segurar objetos (deixar coisas caírem), perda de sensibilidade persistente nos dedos ou atrofia (diminuição) da musculatura na base do polegar. Esses sinais indicam que o nervo já pode estar sofrendo dano significativo.
Estatística relevante
A prevalência da Síndrome do Túnel do Carpo na população geral é de aproximadamente 2,7% a 5% com confirmação clínica e eletrofisiológica, podendo chegar a 14,4% quando se consideram apenas os sintomas autorreportados (Atroshi et al., JAMA, 1999). A incidência é de 1 a 3 casos por 1.000 pessoas por ano na população geral (Medscape/Emedicine, 2024).
2. Tendinite de De Quervain — dor no lado do polegar ao girar e pegar objetos
O que é
A Tendinite de De Quervain é uma inflamação dos tendões que controlam o movimento do polegar, no ponto em que eles passam por um canal estreito no lado do punho próximo ao polegar (lado radial). Pense nos tendões como cabos de aço que passam dentro de um tubo: quando o tubo incha, os cabos não deslizam livremente e cada movimento gera atrito e dor.
Como a dor se apresenta
A dor se concentra no lado do punho próximo ao polegar (lado radial), podendo irradiar para o antebraço. É uma dor do tipo "fisgada" ou "pontada" que piora ao realizar movimentos de pinça, torção ou preensão — como girar uma chave, abrir uma garrafa, torcer um pano ou segurar o celular com uma mão. Até pegar o bebê no colo pode ser muito doloroso. Pode haver inchaço visível e uma sensação de "crepitação" (atrito) ao mover o polegar.
Quem é mais afetado
Mulheres são significativamente mais afetadas, representando cerca de 77,5% dos casos. A condição é especialmente prevalente em mulheres no período pós-parto (pelo esforço repetitivo de segurar o bebê), gestantes e pessoas que realizam atividades manuais repetitivas. A faixa etária de maior incidência é entre 30 e 50 anos, com pico após os 40 anos.
Sinal característico que diferencia
Se a dor está no lado do punho próximo ao polegar e piora especificamente ao girar a chave, abrir uma garrafa ou torcer um pano — e você consegue reproduzir a dor fechando o punho sobre o polegar e inclinando o punho para o lado oposto (teste de Finkelstein) — o quadro aponta para De Quervain. Diferente do túnel do carpo, aqui não há formigamento nos dedos.
Quando se preocupar
Se a dor persiste por mais de 2 a 3 semanas apesar do repouso, se há dificuldade progressiva para usar o polegar em atividades básicas, ou se você nota inchaço crescente no lado do punho.
Estatística relevante
A incidência é de aproximadamente 2,8 casos por 1.000 pessoas/ano em mulheres e 0,6 por 1.000 pessoas/ano em homens. Mulheres são 2,6 vezes mais propensas ao diagnóstico (Wolf et al., Journal of Hand Surgery, 2009; Hassan et al., Journal of Hand Surgery, 2022).
3. Cisto Sinovial (Ganglion) — caroço no punho que aparece e desaparece
O que é
O cisto sinovial, também chamado de gânglio ou ganglion, é um nódulo benigno preenchido por um líquido gelatinoso que se forma a partir de uma articulação ou bainha de tendão do punho. É como uma pequena "bolha" que se forma quando o revestimento da articulação deixa escapar líquido sinovial. Não é câncer e, na maioria dos casos, é inofensivo — mas pode causar desconforto.
Como a dor se apresenta
O sintoma mais evidente é um caroço visível ou palpável no dorso (parte de cima) do punho, que pode aumentar e diminuir de tamanho. Cerca de 70% dos cistos sinoviais do punho se localizam no dorso. A dor, quando presente, costuma ser do tipo "pressão" ou desconforto difuso, que piora com atividades que exigem flexão ou extensão forçada do punho. Alguns cistos são "ocultos" — pequenos demais para serem vistos ou sentidos, mas que causam dor ao comprimir estruturas vizinhas.
Quem é mais afetado
Cistos sinoviais são mais comuns em mulheres, com proporção de 3 para 1 em relação aos homens. A faixa etária de maior incidência é entre 20 e 50 anos. São frequentes em ginastas e pessoas que realizam atividades com impacto repetitivo no punho.
Sinal característico que diferencia
Se você percebe um caroço ou nódulo no dorso do punho (ou, menos frequentemente, na palma) que muda de tamanho — aumenta com atividade e diminui com repouso — e tem consistência firme mas não dura, provavelmente é um cisto sinovial. Nenhuma das outras 6 condições causa um nódulo visível com essas características.
Quando se preocupar
Procure avaliação se o caroço crescer rapidamente, se causar dor intensa, se houver formigamento ou fraqueza associados (o que pode indicar compressão de nervo pelo cisto), ou se você simplesmente não tem certeza de que é benigno. Qualquer massa na mão ou punho merece investigação para excluir outras possibilidades.
Estatística relevante
Os cistos sinoviais representam 60% a 70% de todas as massas de tecidos moles encontradas na mão e punho, sendo o tumor benigno mais comum dessa região (StatPearls/NCBI, 2023; AAOS, OrthoInfo).
4. Fraturas do Punho — a dor que não pode esperar
O que é
Fraturas do punho são quebras nos ossos da região do punho, sendo as mais comuns a fratura do rádio distal (o osso grande do antebraço, na sua extremidade próxima ao punho) e a fratura do escafoide (um dos pequenos ossos do carpo). A fratura do rádio distal é a fratura mais frequente em pronto-socorros, enquanto a fratura do escafoide é traiçoeira porque muitas vezes não aparece no raio-X inicial e pode ser confundida com uma "torção" simples. Saiba mais sobre fraturas da mão e punho.
Como a dor se apresenta
A dor da fratura é tipicamente aguda, intensa e imediata após um trauma — geralmente uma queda com a mão espalmada no chão. No caso do rádio distal, há dor difusa no punho, inchaço evidente e muitas vezes deformidade visível. Já na fratura do escafoide, a dor é mais localizada na "tabaqueira anatômica" (aquela depressão que se forma na base do polegar quando você estende o polegar), e o inchaço pode ser sutil. A dor piora com qualquer movimento do punho e melhora parcialmente com imobilização.
Quem é mais afetado
As fraturas do rádio distal têm dois picos de incidência: crianças/adolescentes (entre 10 e 14 anos, durante atividades esportivas) e mulheres acima de 50 anos (relacionadas à osteoporose). As fraturas do escafoide afetam predominantemente homens jovens, com idade média de 29 anos, frequentemente associadas a esportes de impacto e acidentes.
Sinal característico que diferencia
Se houve um trauma (queda, impacto) e a dor surgiu imediatamente depois, com inchaço e dificuldade para mover o punho, pense em fratura. A grande "armadilha" é a fratura do escafoide: se após uma queda você sente dor na base do polegar que persiste por mais de uma semana, mesmo que o raio-X inicial tenha sido normal, insista na investigação. Até 25% das fraturas do escafoide não aparecem no raio-X inicial.
Quando se preocupar
Qualquer dor no punho após trauma que não melhore em poucos dias deve ser avaliada por um especialista. Uma fratura do escafoide não diagnosticada pode evoluir para pseudoartrose (o osso não consolida) e artrose precoce do punho, complicações que são muito mais difíceis de tratar.
Estatística relevante
A fratura do rádio distal é uma das mais comuns, com mais de 640.000 casos por ano somente nos Estados Unidos (Karl et al., Hand Clinics, 2012). A fratura do escafoide tem incidência de 29 por 100.000 habitantes/ano e representa 60% a 70% de todas as fraturas dos ossos do carpo (Garala et al., Bone & Joint Journal, 2016).
5. Artrose do Punho e Rizartrose — o desgaste que limita o dia a dia
O que é
A artrose do punho é o desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações do punho, fazendo com que os ossos passem a "roçar" uns nos outros. Uma forma muito comum é a rizartrose — a artrose da base do polegar (articulação carpometacárpica), que compromete a capacidade de pinçar, apertar e segurar. Pense na cartilagem como uma camada de borracha que amortece o contato entre os ossos: com o desgaste, essa camada fica fina e irregular, gerando dor e rigidez.
Como a dor se apresenta
A dor da artrose é do tipo "dolorimento" ou "dor surda" que piora com o uso da articulação e melhora com repouso. Na rizartrose, a dor é na base do polegar e piora ao realizar movimentos de pinça — abrir tampas, girar maçanetas, segurar canetas, abotoar roupas. Pode haver inchaço, rigidez matinal (que costuma durar menos de 30 minutos), e nos casos avançados, deformidade visível na base do polegar com perda de força de preensão.
Quem é mais afetado
A artrose do punho é mais comum em pessoas acima de 50 anos, especialmente em quem teve fraturas ou lesões ligamentares prévias no punho. A rizartrose é particularmente prevalente em mulheres pós-menopausa, com proporção de 3 para 1 em relação aos homens. Fatores de risco incluem idade avançada, hereditariedade, atividades manuais repetitivas e lesões articulares prévias.
Sinal característico que diferencia
Se a dor está na base do polegar, piora quando você faz pinça ou aperta objetos, e você tem mais de 50 anos (especialmente se mulher pós-menopausa) — a rizartrose é o principal suspeito. Diferente da tendinite de De Quervain (que dói mais ao lado do punho e ao torcer), na rizartrose a dor se concentra bem na "raiz" do polegar, onde ele encontra o punho, e pode haver um "engrossamento" ou "quadrado" visível nessa região.
Quando se preocupar
Se a dor impede atividades básicas como escrever, cozinhar ou se vestir, se há deformidade progressiva na base do polegar, ou se a rigidez matinal está durando cada vez mais.
Estatística relevante
A prevalência radiográfica de artrose da base do polegar é de 7,3% em mulheres e 5,8% em homens aos 50 anos, aumentando para 39% em mulheres e 33,1% em homens aos 80 anos (van der Oest et al., Osteoarthritis and Cartilage, 2021). A rizartrose afeta até 66% das mulheres acima de 55 anos em graus variados (Haara et al., JBJS, 2004).
6. Lesão da Fibrocartilagem Triangular (TFCC) — dor no lado ulnar do punho
O que é
A Fibrocartilagem Triangular, conhecida pela sigla TFCC (do inglês Triangular Fibrocartilage Complex), é uma estrutura de cartilagem e ligamentos que funciona como um "amortecedor" no lado ulnar do punho — o lado do dedo mínimo. Imagine-a como uma pequena almofada que absorve impacto e estabiliza o punho. Quando essa estrutura se lesiona — por trauma (como uma queda) ou por desgaste progressivo — surge dor nessa região específica.
Como a dor se apresenta
A dor da lesão de TFCC localiza-se no lado ulnar do punho (lado do dedo mínimo), podendo ser sentida como uma pontada ou uma dor profunda. Piora ao girar a mão com força (como ao usar uma chave de fenda ou ao abrir uma porta), ao apoiar o peso do corpo sobre a mão (como ao fazer flexões) ou ao desviar o punho para o lado do dedo mínimo. Um sinal comum é um estalido ou clique doloroso ao girar o antebraço.
Quem é mais afetado
Lesões traumáticas do TFCC são mais comuns em atletas e pessoas jovens ativas, especialmente praticantes de esportes com carga no punho (ginástica, tênis, artes marciais). Já as lesões degenerativas aumentam significativamente com a idade: estudos mostram que quase 50% das pessoas acima de 70 anos têm alterações no TFCC em exames de imagem, mesmo sem sintomas.
Sinal característico que diferencia
Se a dor está especificamente no lado ulnar do punho (lado do dedo mínimo), piora ao girar o antebraço com força e é acompanhada de estalido ou clique — pense em lesão de TFCC. Diferente do túnel do carpo (que causa formigamento) ou da tendinite de De Quervain (que dói no lado oposto, o do polegar), o TFCC dói no "outro lado" do punho, onde fica o dedo mínimo.
Quando se preocupar
Se a dor no lado ulnar persiste por mais de 4 a 6 semanas após um trauma, se há instabilidade (sensação de que o punho "foge" ou "estala" com atividades simples), ou se a dor impede atividades rotineiras como girar maçanetas.
Estatística relevante
Estudos com ressonância magnética mostram que a prevalência de alterações no TFCC é de 27% em pacientes com menos de 30 anos e chega a 49% em pacientes acima de 70 anos, embora nem todas as alterações sejam sintomáticas (Palmer, 1989; Journal of ISAKOS, 2024).
7. Síndrome do Canal de Guyon — compressão do nervo ulnar no punho
O que é
A Síndrome do Canal de Guyon é a compressão do nervo ulnar no punho, em um canal estreito chamado canal de Guyon. Se a Síndrome do Túnel do Carpo comprime o nervo mediano (afetando polegar, indicador e médio), a Síndrome de Guyon comprime o nervo ulnar (afetando o dedo mínimo e metade do anelar). É como se o punho tivesse "dois túneis", e cada um pudesse comprimir um nervo diferente.
Como a dor se apresenta
Os sintomas incluem formigamento e dormência no dedo mínimo e na metade ulnar do anelar. Pode haver fraqueza na mão, dificuldade para abrir frascos ou separar os dedos. Em casos avançados, pode surgir atrofia (perda de volume muscular) na eminência hipotenar (base do dedo mínimo) e nos músculos entre os ossos da mão. A dor, quando presente, é no lado ulnar do punho.
Quem é mais afetado
É uma condição relativamente rara. Os grupos mais afetados incluem ciclistas (pela pressão do guidão sobre o canal de Guyon, condição conhecida como "paralisia do ciclista"), pessoas que usam ferramentas vibratórias, e trabalhadores que apoiam repetidamente a palma da mão sobre superfícies duras. Cistos sinoviais são a causa identificável mais frequente, responsáveis por 30% a 40% dos casos.
Sinal característico que diferencia
Se o formigamento afeta exclusivamente o dedo mínimo e metade do anelar, com preservação da sensibilidade no dorso da mão — isso aponta para Síndrome do Canal de Guyon no punho, e não para compressão do nervo ulnar no cotovelo (síndrome do túnel cubital). A diferença é sutil mas importante: se a dormência afetar também o dorso da mão, a compressão provavelmente é no cotovelo, não no punho.
Quando se preocupar
Se há fraqueza progressiva na mão, perda de destreza (dificuldade para manipular objetos pequenos ou teclar), atrofia muscular visível na mão, ou se os sintomas pioram apesar de evitar atividades que os provocam.
Estatística relevante
Estima-se que 30% a 40% dos casos são causados por cistos sinoviais e 45% dos casos são considerados idiopáticos (sem causa identificável). A síndrome de Guyon é considerada muito mais rara que a síndrome do túnel do carpo (StatPearls/NCBI, 2023).
Tabela comparativa: como diferenciar as 7 causas de dor no punho
| Condição | Localização da dor | Tipo de dor | Piora com | Sinal característico |
|---|---|---|---|---|
| Túnel do Carpo | Palma; polegar, indicador e médio | Formigamento, dormência | Noite; segurar objetos | Acorda com mão formigando |
| De Quervain | Lado do polegar (radial) | Pontada, fisgada | Girar chave; torcer pano | Teste de Finkelstein positivo |
| Cisto Sinovial | Dorso do punho (70%) | Pressão, desconforto | Flexão/extensão forçada | Caroço que muda de tamanho |
| Fraturas | Difusa ou tabaqueira anatômica | Aguda, intensa pós-trauma | Qualquer movimento | Trauma recente + inchaço imediato |
| Artrose/Rizartrose | Base do polegar | Dor surda, dolorimento | Pinça; aperto; uso prolongado | Dor ao pinçar + engrossamento na raiz do polegar |
| TFCC | Lado do dedo mínimo (ulnar) | Pontada profunda | Girar antebraço; apoiar peso | Estalido ao girar antebraço |
| Canal de Guyon | Lado ulnar; dedo mínimo e anelar | Formigamento, fraqueza | Pressão na palma; guidão | Dormência só no mínimo/anelar, dorso preservado |
Quando procurar um especialista
Embora muitas dores no punho melhorem com repouso e cuidados simples, existem sinais de alerta que indicam necessidade de avaliação profissional sem demora:
- Dor intensa após uma queda ou trauma, com inchaço, deformidade ou impossibilidade de mover o punho
- Dormência ou formigamento que não melhora ou que está piorando progressivamente
- Fraqueza na mão — deixar coisas caírem, dificuldade para abrir frascos ou abotoar roupas
- Atrofia muscular — perda visível de volume dos músculos da mão
- Dor que persiste por mais de 2 a 3 semanas sem melhora com repouso e anti-inflamatórios
- Dor que acorda você à noite de forma consistente
- Qualquer caroço ou massa no punho ou mão que esteja crescendo
- Instabilidade — sensação de que o punho "foge" ou "estala" com atividades simples
O cirurgião de mão é o especialista mais qualificado para avaliar, diagnosticar e tratar todas as condições que causam dor no punho. Esse profissional possui formação específica em ortopedia com subespecialização em cirurgia da mão e membro superior, o que lhe permite fazer o diagnóstico diferencial entre essas 7 condições (e outras menos comuns) e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Como é feito o diagnóstico
Diferenciar as causas de dor no punho exige uma avaliação sistemática e experiente. O diagnóstico começa com três pilares fundamentais:
Exame clínico especializado
O cirurgião de mão avalia a localização precisa da dor, o tipo de movimento que a provoca, a presença de inchaço, deformidades ou atrofia muscular, e a força de preensão e pinça. A história clínica é fundamental: quando a dor começou, se houve trauma, quais atividades pioram ou melhoram os sintomas, e se há dormência ou formigamento associados.
Testes provocativos específicos
Para cada condição existe um conjunto de manobras clínicas que ajudam a reproduzir e localizar a dor. O teste de Phalen e o teste de Tinel avaliam a Síndrome do Túnel do Carpo. O teste de Finkelstein é usado para a tendinite de De Quervain. O teste de compressão do escafoide investiga fraturas. O teste de estresse do TFCC avalia a fibrocartilagem triangular. A combinação dos resultados desses testes, junto com a história clínica, permite ao especialista direcionar a investigação.
Exames complementares
Conforme a suspeita clínica, o médico pode solicitar diferentes exames:
- Raio-X: fundamental para avaliar fraturas, artrose e alinhamento dos ossos do punho
- Ultrassonografia: útil para avaliar tendões, cistos sinoviais e espessamento de estruturas
- Ressonância magnética (RM): o exame mais detalhado para avaliar partes moles — TFCC, ligamentos, tendões, cistos ocultos e fraturas não visíveis ao raio-X
- Eletroneuromiografia (ENMG): essencial para confirmar e quantificar a compressão de nervos, como nas síndromes do túnel do carpo e do canal de Guyon
O diagnóstico diferencial da dor no punho é complexo e exige experiência. As 7 condições descritas neste artigo podem ter sintomas sobrepostos — por exemplo, um cisto sinovial pode comprimir o nervo mediano e causar sintomas idênticos aos da Síndrome do Túnel do Carpo, ou uma fratura do escafoide pode evoluir para artrose do punho. Por isso, a avaliação por um cirurgião de mão com experiência nessas condições é o caminho mais seguro para um diagnóstico preciso.
Se você está com dor no punho que persiste, formigamento nos dedos ou fraqueza na mão, não espere o problema se agravar. Agende uma avaliação com um cirurgião de mão — quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são as chances de um tratamento eficaz e uma recuperação completa.
Referências científicas
- Atroshi I, Gummesson C, Johnsson R, et al. Prevalence of carpal tunnel syndrome in a general population. JAMA. 1999;282(2):153-158.
- Dahlin LB, et al. Carpal tunnel syndrome. Nature Reviews Disease Primers. 2024;10:38.
- Wolf JM, Sturdivant RX, Owens BD. Incidence of de Quervain's tenosynovitis in a young, active population. J Hand Surg Am. 2009;34(1):112-115.
- Hassan S, et al. De Quervain Tenosynovitis: An Evaluation of the Epidemiology and Utility of Multiple Injections. J Hand Surg Am. 2022;47(1):58-66.
- StatPearls. Ganglion Cyst. NCBI Bookshelf. 2023.
- Nellans KW, Kowalski E, Chung KC. The epidemiology of distal radius fractures. Hand Clinics. 2012;28(2):113-125.
- Garala K, Taub NA, Dias JJ. The epidemiology of fractures of the scaphoid. Bone Joint J. 2016;98-B(5):654-659.
- Van der Oest MJW, et al. The prevalence of radiographic thumb base osteoarthritis: a meta-analysis. Osteoarthritis and Cartilage. 2021;29(6):785-792.
- Haara MM, et al. Osteoarthritis in the carpometacarpal joint of the thumb. J Bone Joint Surg Am. 2004;86(7):1452-1457.
- Palmer AK. Triangular fibrocartilage complex lesions: a classification. J Hand Surg Am. 1989;14(4):594-606.
- StatPearls. Guyon Canal Syndrome. NCBI Bookshelf. 2023.
Tratamento especializado
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