Encondroma na Mão: O Tumor Ósseo Mais Comum nos Dedos

Por Dr. Marcelo Teixeira · 31 de Março, 2026 · Leitura: 6 min · Tumores Benignos

Você fez um raio-X do dedo por algum motivo — talvez uma dor, uma pancada, ou até mesmo um exame de rotina — e o resultado mostrou uma "lesão" ou "tumor" no osso. A palavra "tumor" assusta, mas calma: na grande maioria dos casos, trata-se de um encondroma, uma lesão benigna que representa cerca de 90% de todos os tumores ósseos da mão.

O que é o encondroma?

Encondroma na falange proximal
Encondroma na falange proximal — Fonte: Green's Operative Hand Surgery, 8ª edição

O encondroma é um tumor benigno de cartilagem que cresce lentamente dentro do osso. Ele se forma a partir de restos de cartilagem de crescimento que permanecem no interior do osso após o desenvolvimento. Aparece com mais frequência nas falanges proximais (o osso mais próximo da palma), nos metacarpos e nas falanges médias. Na enorme maioria dos casos, é uma lesão solitária — aparece em apenas um osso.

Como ele é descoberto?

Muitos encondromas são completamente silenciosos e descobertos por acaso em um raio-X feito por outro motivo. Quando causam sintomas, a situação mais comum é a fratura patológica: o tumor enfraquece o osso por dentro, e um esforço leve — que normalmente não causaria nada — acaba quebrando o dedo. Outros pacientes notam um inchaço progressivo ou dor localizada no dedo.

É câncer? Pode virar câncer?

Não. O encondroma solitário é benigno e tem risco muito baixo (menos de 1%) de transformação maligna. Sinais que devem chamar atenção para algo mais grave incluem dor em repouso (sem relação com esforço), presença de massa de partes moles ao redor do osso, ou destruição da parede do osso no raio-X. Existem síndromes raras com múltiplos encondromas (Doença de Ollier e Síndrome de Maffucci) que apresentam risco aumentado de condrossarcoma — mas são situações diferentes da lesão solitária.

Preciso operar?

Depende. Encondromas que não causam dor, não crescem e não afinam perigosamente o osso podem ser acompanhados com raio-X periódicos — não precisam de cirurgia. A cirurgia é indicada quando há dor, fratura, crescimento da lesão ou risco significativo de fratura por enfraquecimento do osso.

Como é a cirurgia?

O tratamento padrão é a curetagem intralesional: o cirurgião abre uma janela no osso sobre o tumor, faz biópsia para confirmar o diagnóstico, remove todo o tecido tumoral e preenche a cavidade com enxerto ósseo. O procedimento é feito com anestesia local ou regional e o paciente vai para casa no mesmo dia.

Se você fraturou o dedo por causa do encondroma, evidências recentes mostram que tratar a fratura e o tumor ao mesmo tempo é seguro e eficaz — com recuperação mais rápida e retorno mais precoce ao trabalho em comparação com o tratamento em duas etapas.

O que esperar da recuperação?

A maioria dos pacientes retorna à função completa. Estudos mostram que 81% dos pacientes recuperam amplitude de movimento total do dedo. Pacientes que operam após fratura patológica têm risco um pouco maior de rigidez residual (28% vs 15%), mas ainda assim a maioria evolui muito bem. A taxa de recorrência do tumor é de aproximadamente 10% para lesões solitárias.

Se um raio-X mostrou uma lesão no osso do seu dedo, não entre em pânico — mas procure avaliação de um especialista em cirurgia da mão para confirmar o diagnóstico e definir se é caso de acompanhamento ou tratamento cirúrgico.

Referências científicas

  • Lubahn JD, Bachoura A. Enchondroma of the Hand: Evaluation and Management. JAAOS, 2016.
  • Hsu CS, Hentz VR, Yao J. Tumours of the Hand. The Lancet Oncology, 2007.
  • Wessel LE, Christ AB, Athanasian EA. Impact of Patient and Tumor Characteristics on Range of Motion and Recurrence Following Treatment of Enchondromas of the Hand. J Hand Surg, 2023.
  • Park HY et al. Simple Curettage and Allogeneic Cancellous Bone Chip Impaction Grafting in Solitary Enchondroma. Scientific Reports, 2023.
  • Li Q et al. Early Surgical Treatment of Both Tumor and Fracture in Patients With Enchondroma Combined With Pathologic Fracture. Ann Plast Surg, 2021.

Tratamento especializado

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Sobre o Especialista

Dr. Marcelo Teixeira é cirurgião da mão e microcirurgião com formação na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo). Membro da SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão) e da ASSH (American Society for Surgery of the Hand). CRM/SP 230359.

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