Artrite Reumatoide na Mão e Punho — Tratamento Especializado em São Paulo

Artrite reumatoide na mão: dedos desviados para o lado do dedo mínimo e nós dos dedos inchados
Artrite reumatoide na mão: dedos desviados para o lado do dedo mínimo e nós dos dedos inchados — Fonte: James Heilman, MD / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (adaptada)

Revisado por Dr. Marcelo Teixeira, cirurgião da mão (CRM/SP 230359, RQE 130740) · Atualizado em 27 de setembro de 2026

A artrite reumatoide é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a sinóvia, a membrana que reveste as articulações e os tendões. Nas mãos, causa inflamação simétrica dos punhos e das articulações da base e do meio dos dedos, com rigidez matinal prolongada. Afeta de 0,5% a 1% da população, e 80% a 90% dos pacientes desenvolvem acometimento das mãos.

A sinóvia inflamada libera substâncias que corroem cartilagem, osso, ligamentos e tendões. Sem controle, isso leva às deformidades clássicas: dedos desviados para o lado do mínimo, pescoço de cisne, botoeira, polegar em Z e rupturas de tendão no punho. A boa notícia é que o tratamento moderno mudou a história da doença: com a chegada dos medicamentos biológicos, as cirurgias de dedos e punho caíram 32% de forma imediata em um registro nacional dinamarquês. Ainda assim, até 10% dos pacientes precisam de cirurgia no membro superior nos 5 primeiros anos, e a mão pode seguir doendo mesmo com a doença controlada no sangue. Por isso, o cuidado ideal une reumatologista, terapeuta de mão e cirurgião da mão.

Mão reumatoide: sinovite nos nós dos dedos e no punho, com desvio ulnar dos dedos
Mão reumatoide: sinovite (inflamação) dos nós dos dedos e do punho e desvio ulnar dos dedos

Artrite Reumatoide na Mão e Punho em números

  • 0,5-1% da população tem artrite reumatoide; mulheres são 2 a 3 vezes mais afetadas (Fonte: Gravallese EM, Firestein GS, New England Journal of Medicine, 2023)
  • 80-90% dos pacientes desenvolvem acometimento das mãos e punhos (Fonte: Arab Alkabeya H et al., Arthritis Care & Research, 2019)
  • 32% de queda imediata nas cirurgias de dedos e punho com a chegada dos biológicos (Fonte: Cordtz R et al., Arthritis Care & Research, 2020)
  • 7 anos de benefício mantido após prótese de silicone nos dedos (estudo SARA) (Fonte: Chung KC et al., Arthritis Care & Research, 2017)

Sintomas

  • Rigidez Matinal Prolongada — Mãos 'duras' ao acordar por 30 minutos ou mais, melhorando ao longo do dia — um sinal típico de inflamação.
  • Inchaço Simétrico nos Nós dos Dedos — Inchaço e dor nas articulações da base dos dedos, nas do meio e nos punhos, geralmente nos dois lados. As juntas da ponta dos dedos costumam ser poupadas.
  • Dor ao Apertar a Mão — Dor ao comprimir os nós dos dedos lateralmente (teste do aperto) ou ao cumprimentar alguém — sinal de sinovite ativa.
  • Deformidades e Perda de Força — Sem controle da doença: dedos desviados para o lado do mínimo, deformidades em pescoço de cisne ou em botoeira, polegar em Z e fraqueza para segurar objetos.

Quando se preocupar: Procure avaliação se as mãos amanhecem rígidas por mais de 30 minutos ou se há inchaço nos nós dos dedos ou nos punhos por mais de 6 semanas. Quem já tem o diagnóstico deve procurar o cirurgião da mão se, de repente, não conseguir esticar um dedo (ruptura de tendão), se surgir um 'calombo' instável no punho do lado do dedo mínimo ou dormência nos dedos. Tratar cedo, dentro da 'janela de oportunidade', evita danos irreversíveis.

Causas e fatores de risco

  • Doença Autoimune — O sistema imunológico ataca a sinóvia, que inflama e libera substâncias que corroem cartilagem, osso, ligamentos e tendões.
  • Sexo Feminino e Idade — Mulheres são 2 a 3 vezes mais afetadas, com pico de início entre os 30 e os 50 anos.
  • Tabagismo — O fumo é o fator de risco comportamental mais consistente para desenvolver a doença.
  • Genética e Autoanticorpos — Histórico familiar e a presença de fator reumatoide e anti-CCP aumentam o risco e ajudam no diagnóstico.

Como é feito o diagnóstico

Examino cada articulação da mão e do punho em busca de sinovite (inchaço mole e doloroso), os tendões extensores e flexores (tenossinovite e risco de ruptura), a estabilidade da ulna no punho e os nervos (túnel do carpo). Avalio também se as deformidades são corrigíveis com a mão ou já estão fixas — isso define se o caminho é órtese, terapia ou cirurgia.

O diagnóstico é feito em parceria com o reumatologista, pelos critérios ACR/EULAR 2010: pontuação de 6 ou mais em 10, somando articulações acometidas, fator reumatoide/anti-CCP, provas inflamatórias e duração dos sintomas. O ultrassom e a ressonância detectam sinovite e tenossinovite antes que surjam erosões na radiografia, que avalia o dano estrutural já estabelecido.

Opções de tratamento

  1. Medicamentos com o Reumatologista (Base do Tratamento) — A base do tratamento: metotrexato e, quando necessário, biológicos ou inibidores de JAK, com meta de remissão. Com a chegada dos biológicos, as cirurgias de dedos e punho caíram 32% de imediato.
  2. Terapia de Mão, Órteses e Infiltração (Complementar) — Exercícios para força e movimento, órteses para deformidades leves e corrigíveis e infiltração de corticoide em articulações ou bainhas de tendão que seguem inflamadas apesar dos remédios.
  3. Tenossinovectomia e Transferência de Tendão (Cirúrgico) — Retirada do tecido inflamatório que envolve os tendões do punho para prevenir rupturas. Se o tendão já rompeu, faz-se a transferência de um tendão vizinho, junto com o tratamento da cabeça da ulna.
  4. Prótese nos Dedos ou Cirurgia do Punho (Reconstrução) — Próteses de silicone nos nós dos dedos corrigem o desvio e melhoram função e aparência de forma duradoura (estudo SARA, 7 anos). No punho destruído, artrodese ou prótese aliviam a dor, com complicações semelhantes (17% x 19%).

Quando há cirurgia: duração de 60-120 minutos, anestesia regional (bloqueio do braço), recuperação de 6-12 semanas.

Recuperação

  1. Antes da Cirurgia — A doença deve estar o mais controlada possível. Pela diretriz ACR/AAHKS 2022, metotrexato e similares são mantidos; biológicos são suspensos por um ciclo de dose; inibidores de JAK, 3 dias antes — sempre decidido com o reumatologista.
  2. Primeiras Semanas — Tala de proteção e início precoce da terapia de mão, conforme o procedimento (tendão, prótese ou artrodese).
  3. 6-12 Semanas — Ganho progressivo de movimento e força, com órteses dinâmicas quando indicadas.
  4. Longo Prazo — Acompanhamento conjunto com reumatologia e terapia de mão. Os ganhos da prótese de silicone se mantiveram por 7 anos no estudo SARA.

Perguntas frequentes

Vou perder o uso das mãos?
Na maioria das vezes, não. Com o tratamento moderno para atingir remissão, as cirurgias de mão e punho caíram muito — em um registro dinamarquês, houve queda imediata de 32% com a chegada dos biológicos. Muitos pacientes mantêm boa função a longo prazo.
Por que minhas mãos ainda doem se meus exames estão controlados?
Porque danos estruturais causados por fases anteriores de inflamação — em cartilagem, ligamentos e tendões — não se revertem só com remédio. Revisões mostram que a função da mão pode continuar prejudicada mesmo com a doença em remissão, e é aí que terapia de mão e cirurgia fazem diferença.
Um tendão pode romper sozinho?
Sim. A inflamação crônica e a cabeça da ulna saliente e desgastada no punho podem 'serrar' os tendões extensores, que se rompem geralmente a partir do dedo mínimo (síndrome de Vaughan-Jackson). Por isso, às vezes indicamos a limpeza preventiva dos tendões antes da ruptura.
Preciso operar?
A cirurgia é indicada quando a dor não melhora com o tratamento otimizado, quando a deformidade progride ou já está fixa, ou quando um tendão rompeu ou está prestes a romper. Deformidades leves e corrigíveis são tratadas com órteses, terapia e controle da doença.
A prótese dos nós dos dedos funciona?
Sim. No estudo SARA, pacientes com desvio grave dos dedos operados com prótese de silicone melhoraram função, dor, aparência e satisfação, enquanto os não operados permaneceram iguais — e a melhora se manteve por 7 anos. A força de preensão, porém, não aumenta de forma significativa.
Preciso parar meus remédios antes da cirurgia?
Depende do remédio, e a decisão é conjunta com o reumatologista. A diretriz ACR/AAHKS 2022 recomenda manter metotrexato, leflunomida, hidroxicloroquina e sulfassalazina; suspender biológicos por um ciclo de dose, operando quando a próxima dose venceria; e suspender inibidores de JAK pelo menos 3 dias antes.
Exercícios podem piorar as articulações?
Não. Programas estruturados de exercícios para as mãos ajudam a preservar força, movimento e função na artrite reumatoide, como complemento ao tratamento com remédios (revisão Cochrane).
Artrite reumatoide e artrose são a mesma coisa?
Não. A artrite reumatoide é autoimune e inflamatória, costuma ser simétrica e poupa as articulações da ponta dos dedos. A artrose é um desgaste da cartilagem, mais comum na ponta dos dedos e na base do polegar. O tratamento é diferente — por isso o diagnóstico correto é essencial.

Referências científicas

  1. Di Matteo A, Bathon JM, Emery P. Rheumatoid arthritis. Lancet, 2023.
  2. Gravallese EM, Firestein GS. Rheumatoid arthritis — common origins, divergent mechanisms. New England Journal of Medicine, 2023.
  3. Kay J, Upchurch KS. ACR/EULAR 2010 rheumatoid arthritis classification criteria. Rheumatology, 2012.
  4. Arab Alkabeya H, Hughes AM, Adams J. Factors associated with hand and upper arm functional disability in people with rheumatoid arthritis: a systematic review. Arthritis Care & Research, 2019.
  5. Williams MA, Srikesavan C, Heine PJ, et al. Exercise for rheumatoid arthritis of the hand. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2018.
  6. Nakayama M, Kiyota Y, Nakamura S, Yagi M. Trends in rheumatoid hand surgery: indications, techniques, and outcomes. Journal of Clinical Medicine, 2025.
  7. Toyama S, Tokunaga D, Tsuchida S, et al. Comprehensive assessment of alterations in hand deformities over 11 years in patients with rheumatoid arthritis using cluster analysis and analysis of covariance. Arthritis Research & Therapy, 2021.
  8. Cordtz R, Hawley S, Prieto-Alhambra D, et al. Reduction in upper limb joint surgery among rheumatoid arthritis patients: an interrupted time-series analysis using Danish health care registers. Arthritis Care & Research, 2020.
  9. Nikiphorou E, Carpenter L, Morris S, et al. Hand and foot surgery rates in rheumatoid arthritis have declined from 1986 to 2011, but large-joint replacement rates remain unchanged: results from two UK inception cohorts. Arthritis & Rheumatology, 2014.
  10. Chung KC, Burns PB, Wilgis EF, et al. A multicenter clinical trial in rheumatoid arthritis comparing silicone metacarpophalangeal joint arthroplasty with medical treatment. Journal of Hand Surgery (American), 2009.
  11. Chung KC, Burns PB, Kim HM, et al. Long-term followup for rheumatoid arthritis patients in a multicenter outcomes study of silicone metacarpophalangeal joint arthroplasty. Arthritis Care & Research, 2012.
  12. Chung KC, Kotsis SV, Burns PB, et al. Seven-year outcomes of the Silicone Arthroplasty in Rheumatoid Arthritis prospective cohort study. Arthritis Care & Research, 2017.
  13. Goodman SM, Springer BD, Chen AF, et al. 2022 American College of Rheumatology/American Association of Hip and Knee Surgeons guideline for the perioperative management of antirheumatic medication in patients with rheumatic diseases undergoing elective total hip or total knee arthroplasty. Arthritis Care & Research, 2022.
  14. Zhu XM, Perera E, Gohal C, et al. A systematic review of outcomes of wrist arthrodesis and wrist arthroplasty in patients with rheumatoid arthritis. Journal of Hand Surgery (European), 2021.
  15. Demetri LRF, Chung KC, Blazar PE. Contemporary view on the care of the rheumatoid wrist. Plastic and Reconstructive Surgery, 2025.

Agende uma avaliação com o Dr. Marcelo Teixeira ou chame no WhatsApp: (11) 94799-1472. Atendimento particular e Bradesco Saúde em São Paulo.

Artigos relacionados