Fratura do Rádio Distal (Fratura do Punho) — Tratamento Especializado em São Paulo

Revisado por Dr. Marcelo Teixeira, cirurgião da mão (CRM/SP 230359, RQE 130740) · Atualizado em 27 de setembro de 2026
A fratura do rádio distal é a quebra da extremidade do rádio, o osso do antebraço do lado do polegar, a cerca de 2 a 3 cm da articulação do punho. É a fratura mais comum do membro superior — cerca de 18% de todas as fraturas em adultos — e geralmente acontece em uma queda com a mão estendida. Inclui as fraturas de Colles, Smith e Barton.
A fratura do punho tem dois perfis bem diferentes: jovens que sofrem traumas de alta energia (esporte, moto, queda de altura), com fraturas mais complexas, e mulheres acima de 60 anos que caem da própria altura, com osso enfraquecido pela osteoporose. Cerca de 3 em cada 4 fraturas são tratadas sem cirurgia, com redução e gesso — mas 13% delas perdem a posição dentro do gesso e acabam precisando de cirurgia, por isso o acompanhamento com radiografias nas primeiras semanas é tão importante. Quando a cirurgia é indicada, a placa volar bloqueada permite mexer o punho em cerca de 2 semanas e acelera a recuperação nos primeiros meses. Em pessoas acima de 65 anos, grandes ensaios clínicos mostram que gesso e placa levam a função semelhante em 1 a 2 anos, então a decisão deve considerar a demanda de cada paciente, não só o raio-X.

Fratura do Rádio Distal (Fratura do Punho) em números
- 18% de todas as fraturas em adultos são do rádio distal (Fonte: Adie S et al., Cochrane Database of Systematic Reviews, 2022)
- 3 em 4 fraturas do punho são tratadas sem cirurgia (Fonte: Wretö L, Fornander L, PLoS One, 2024)
- 13% das fraturas tratadas com gesso perdem a posição e precisam de cirurgia (Fonte: Costa ML et al., BMJ, 2022 (estudo DRAFFT2))
- ~2 sem. de tala após placa volar, antes de voltar a mexer o punho (Fonte: Adie S et al., Cochrane Database of Systematic Reviews, 2022)
Sintomas
- Dor Forte Após Queda — Dor intensa no punho logo após cair com a mão estendida — o mecanismo mais comum desta fratura.
- Inchaço e Hematoma — O punho incha rapidamente e pode ficar arroxeado nas horas seguintes, com dificuldade para mexer a mão.
- Deformidade em "Dorso de Garfo" — Na fratura de Colles, o punho fica com um degrau visível, desviado para trás — sinal de fratura desviada.
- Formigamento ou Dormência nos Dedos — Sinal de alerta: pode indicar compressão aguda do nervo mediano (túnel do carpo agudo) e exige avaliação urgente.
Quando se preocupar: Procure atendimento imediato se houver dormência ou formigamento nos dedos, dedos frios ou arroxeados, ferida aberta sobre a fratura ou dor desproporcional e crescente — sinais de compressão do nervo, fratura exposta ou síndrome compartimental, que são urgências. Se a queda foi da própria altura e você tem mais de 50 anos, a fratura também é um alerta para osteoporose.
Causas e fatores de risco
- Queda da Própria Altura — Acima dos 60 anos, uma simples queda com a mão estendida basta para quebrar um osso enfraquecido — é o mecanismo mais comum.
- Osteoporose — A fratura do punho é uma 'fratura sentinela': costuma ser o primeiro aviso de osteoporose e aumenta o risco de futuras fraturas de quadril e coluna.
- Traumas de Alta Energia — Em jovens (pico entre 18 e 25 anos, mais em homens), esportes, quedas de altura e acidentes causam fraturas mais complexas, muitas vezes dentro da articulação.
- Menopausa, Tabagismo e Vitamina D Baixa — Sexo feminino após a menopausa, baixo peso, tabagismo, deficiência de vitamina D e pouca ingestão de cálcio aumentam o risco.
Como é feito o diagnóstico
Examino o punho, a circulação e a sensibilidade dos dedos — formigamento pode indicar compressão aguda do nervo mediano. Também procuro lesões associadas que mudam o tratamento: fratura do escafoide, lesão dos ligamentos do carpo, lesão da fibrocartilagem triangular (TFCC) e instabilidade da articulação radioulnar distal.
A radiografia de frente e perfil mede o encurtamento do rádio, a inclinação da superfície articular e o degrau dentro da articulação. Pela diretriz da AAOS/ASSH, abaixo dos 65 anos a cirurgia tende a trazer mais benefício quando, após a redução, persiste encurtamento maior que 3 mm, inclinação dorsal maior que 10° ou degrau articular maior que 2 mm. A tomografia fica reservada para fraturas complexas dentro da articulação, para planejar a cirurgia.
Opções de tratamento
- Gesso ou Tala (Fratura Sem Desvio) (Conservador) — Fraturas sem desvio ou estáveis: imobilização por cerca de 6 semanas, com radiografias de controle nas primeiras semanas para garantir que o osso não saia do lugar.
- Redução Fechada + Gesso (Conservador) — O osso é recolocado no lugar sob anestesia e imobilizado. Cerca de 3 em cada 4 fraturas do punho são tratadas assim — mas 13% perdem a posição no gesso e precisam de cirurgia depois.
- Placa Volar Bloqueada (Padrão-Ouro Cirúrgico) — Fixação com placa de titânio pela face palmar do punho. A tala sai em cerca de 2 semanas e o punho volta a se mexer cedo, com recuperação mais rápida nos primeiros 3 meses.
- Fios de Kirschner ou Fixador Externo (Cirúrgico) — Alternativas para fraturas selecionadas. No estudo DRAFFT (461 pacientes), os fios tiveram resultado funcional semelhante ao da placa, com cirurgia mais curta e menor custo.
Quando há cirurgia: duração de 60-90 minutos, anestesia regional (bloqueio do braço), recuperação de 6-12 semanas.
Recuperação
- 0-2 Semanas — Mão elevada para controlar o inchaço e movimentação dos dedos desde o primeiro dia. Após a placa, a tala costuma sair em cerca de 2 semanas.
- 2-6 Semanas — No tratamento com gesso, a imobilização dura cerca de 6 semanas. Após a placa, a fisioterapia para ganho de movimento já começa nesta fase.
- 6-12 Semanas — Fortalecimento progressivo e retorno às atividades do dia a dia e ao trabalho leve, conforme a consolidação na radiografia.
- 3-12 Meses — Força e movimento continuam melhorando até 1 ano. A placa acelera o início; em 1 a 2 anos, os resultados dos tratamentos bem indicados se igualam.
Perguntas frequentes
- Toda fratura do punho precisa de cirurgia?
- Não. Cerca de 3 em cada 4 fraturas do rádio distal são tratadas com redução e gesso. A cirurgia é indicada quando o osso não pode ser recolocado ou mantido em boa posição, ou quando a fratura entra na articulação com degrau maior que 2 mm.
- Quanto tempo fico de gesso?
- Em geral cerca de 6 semanas. Quando a fratura é fixada com placa volar, a tala costuma sair em cerca de 2 semanas e a movimentação do punho começa cedo, com fisioterapia.
- O osso pode sair do lugar dentro do gesso?
- Sim. No estudo DRAFFT2 (500 pacientes), 13% das fraturas tratadas com gesso perderam a posição e precisaram de cirurgia nas primeiras 6 semanas. Por isso as radiografias de controle nas primeiras semanas são essenciais — é a janela em que ainda dá para corrigir sem cirurgias maiores.
- Tenho mais de 65 anos. Preciso operar?
- Não necessariamente. Nessa faixa, os grandes estudos (WRIST, CROSSFIRE e meta-análises) mostram que placa e gesso levam a função semelhante em 1 a 2 anos. A placa recupera mais rápido nos primeiros meses e costuma trazer mais satisfação. A decisão depende da sua demanda funcional e dos seus objetivos, não só da idade.
- Placa ou fios: qual é melhor?
- Para muitas fraturas, os dois funcionam. No estudo DRAFFT (461 pacientes), fios de Kirschner e placa volar tiveram função, dor e complicações semelhantes. A placa permite mexer o punho mais cedo e é preferida em fraturas instáveis ou que entram na articulação.
- A placa precisa ser retirada depois?
- Na maioria dos casos, não. A placa de titânio é biocompatível e pode ficar para sempre. A retirada só é indicada se causar incômodo, irritação de tendão ou outro problema específico.
- Por que quebrei o punho numa queda tão simples?
- Porque o osso provavelmente estava enfraquecido. Em mulheres após a menopausa e pessoas acima de 50 anos, a fratura do punho por queda da própria altura é um sinal de osteoporose e aumenta o risco de fraturas de quadril e coluna. A densitometria óssea e o tratamento da osteoporose fazem parte do cuidado.
- Vitamina C ajuda a prevenir complicações?
- Pode ajudar. Uma análise conjunta de 3 ensaios clínicos (875 pacientes) mostrou que 500 mg de vitamina C por dia durante 50 dias, a partir do dia da fratura, reduziu pela metade o risco de síndrome dolorosa complexa regional. Um dos estudos, porém, não mostrou efeito — é uma medida simples e de baixo risco, não uma garantia.
- Quais sinais exigem atendimento urgente?
- Dormência ou formigamento nos dedos, dedos frios ou arroxeados, ferida aberta sobre a fratura, incapacidade de mexer os dedos ou dor muito forte e crescente, desproporcional ao trauma. Esses sinais podem indicar compressão de nervo, fratura exposta ou síndrome compartimental.
Referências científicas
- Kamal RN, Shapiro LM. Practical application of the 2020 distal radius fracture AAOS/ASSH clinical practice guideline: a clinical case. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2022.
- Shapiro LM, Kamal RN. American Academy of Orthopaedic Surgeons appropriate use criteria: treatment of distal radius fractures. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2022.
- Costa ML, Achten J, Ooms A, et al. Surgical fixation with K-wires versus casting in adults with fracture of distal radius: DRAFFT2 multicentre randomised clinical trial. BMJ, 2022.
- Adie S, Griffin XL, Harris IA, et al. Surgical (percutaneous pinning or plate fixation) versus non-surgical interventions for distal radius fractures in adults: an individual participant data review. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2022.
- Chung KC, Kim HM, Malay S, Shauver MJ; WRIST Group. Comparison of 24-month outcomes after treatment for distal radius fracture: the WRIST randomized clinical trial. JAMA Network Open, 2021.
- Lawson A, Naylor J, et al.; CROSSFIRE Study Group. Plating vs closed reduction for fractures in the distal radius in older patients: a secondary analysis of a randomized clinical trial. JAMA Surgery, 2022.
- Stephens AR, Presson AP, McFarland MM, et al. Volar locked plating versus closed reduction and casting for acute, displaced distal radial fractures in the elderly: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Journal of Bone and Joint Surgery (American), 2020.
- Hassellund SS, Williksen JH, Laane MM, et al. Cast immobilization is non-inferior to volar locking plates in relation to QuickDASH after one year in patients aged 65 years and older: a randomized controlled trial of displaced distal radius fractures. Bone & Joint Journal, 2021.
- Jayaram M, Wood SM, Kane RL, Yang LY, Chung KC. Association of open reduction and internal fixation with volar locking plate for distal radius fractures with patient-reported outcomes in older adults: a network meta-analysis. JAMA Network Open, 2023.
- Faidley KN, London DA. A scoping review of the WRIST trial and its subanalyses: implications for care of elderly distal radius fractures. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2026.
- Wretö L, Fornander L. Long-term outcome for patients with distal radius fractures treated with volar locking plates versus percutaneous wires. PLoS One, 2024.
- Rundgren J, Bojan A, Mellstrand Navarro C, Enocson A. Epidemiology, classification, treatment and mortality of distal radius fractures in adults: an observational study of 23,394 fractures from the national Swedish fracture register. BMC Musculoskeletal Disorders, 2020.
- Hjelle AM, Gjertsen JE, Apalset EM, et al. No association between osteoporosis and AO classification of distal radius fractures: an observational study of 289 patients. BMC Musculoskeletal Disorders, 2020.
- Goebel A. Complex regional pain syndrome. New England Journal of Medicine, 2025.
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