Artrose do Punho — Tratamento Especializado em São Paulo

Raio-X de artrose do punho: desgaste da cartilagem entre o rádio e o escafoide
Raio-X de artrose do punho: desgaste da cartilagem entre o rádio e o escafoide — Fonte: Hellerhoff / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (adaptada)

Revisado por Dr. Marcelo Teixeira, cirurgião da mão (CRM/SP 230359, RQE 130740) · Atualizado em 27 de setembro de 2026

A artrose do punho é o desgaste da cartilagem das articulações entre os ossos do carpo e a extremidade do rádio. Diferente do joelho e do quadril, quase sempre é consequência de uma lesão antiga — ruptura do ligamento escafossemilunar (punho SLAC), pseudartrose do escafoide (punho SNAC) ou fratura do rádio com degrau na articulação. Causa dor ao fazer força, rigidez e perda de força.

A artrose do punho costuma aparecer anos ou décadas depois de uma 'entorse' ou fratura que não foi bem diagnosticada ou tratada. O padrão mais comum é o punho SLAC, seguido do SNAC, e a doença avança em estágios previsíveis — do estiloide do rádio até todo o carpo. O tratamento começa com tala, anti-inflamatórios, terapia de mão e infiltrações, que aliviam mas não regeneram a cartilagem. Quando a dor persiste, há cirurgias que preservam movimento: a denervação do punho, que corta apenas os pequenos nervos da dor (86% dos pacientes não precisaram de nova cirurgia em 4 anos), e a carpectomia da fileira proximal ou a artrodese dos quatro cantos, que mantêm 94% dos punhos livres de artrodese total em 10 anos. A artrodese total e a prótese ficam para os casos avançados.

Artrose do punho: desgaste da cartilagem entre o rádio e os ossos do carpo
Na artrose do punho, a cartilagem entre o rádio e os ossos do carpo se desgasta — geralmente após uma lesão antiga de ligamento ou fratura

Artrose do Punho em números

  • 86% dos punhos operados com denervação sem nova cirurgia em 4 anos (Fonte: Kwee E et al., J Hand Surg Eur, 2026)
  • 5,2% x 11% de conversão para artrodese total: carpectomia proximal x quatro cantos (Fonte: Hones KM et al., Journal of Hand Surgery, 2024)
  • 94% dos punhos sem artrodese total em 10 anos após as cirurgias que preservam movimento (Fonte: Garcia BN et al., J Bone Joint Surg Am, 2020)
  • 78% das próteses de punho sem revisão em 15 anos (série não cimentada) (Fonte: Gil JA et al., Clin Orthop Relat Res, 2017)

Sintomas

  • Dor no Dorso do Punho — Dor surda na parte de cima do punho, que piora ao fazer força, empurrar, apoiar a mão ou girar objetos.
  • Rigidez Progressiva — O punho vai perdendo movimento aos poucos — fica difícil dobrar ou esticar a mão completamente.
  • Perda de Força — Diminuição da força para segurar, carregar peso ou usar ferramentas.
  • Inchaço e Estalos — Inchaço depois do esforço e sensação de atrito ou 'engasgo' ao mexer o punho.

Quando se preocupar: Procure avaliação se a dor e a rigidez no punho pioram com o uso e limitam o trabalho ou o sono — especialmente se você já teve uma fratura, uma 'entorse forte' ou uma fratura do escafoide no passado. Quanto mais cedo a artrose é estadiada, mais opções que preservam o movimento estão disponíveis.

Causas e fatores de risco

  • Lesão Antiga do Ligamento (Punho SLAC) — A ruptura do ligamento escafossemilunar deixa os ossos desalinhados, que se desgastam ao longo dos anos — a causa mais comum de artrose do punho.
  • Pseudartrose do Escafoide (Punho SNAC) — Uma fratura do escafoide que não consolidou altera a mecânica do punho e leva ao mesmo padrão de desgaste.
  • Fratura do Rádio com Degrau Articular — Após fratura do rádio distal, um degrau maior que cerca de 2 mm na superfície da articulação aumenta o risco de artrose.
  • Idade e Outras Causas — A artrose do punho no raio-X é pouco comum na população geral, mas aumenta muito com a idade. Doença de Kienböck e artrose entre escafoide, trapézio e trapezoide (STT) são outras causas.

Como é feito o diagnóstico

Avalio onde está a dor, quanto movimento o punho ainda tem, a força de preensão e a estabilidade dos ligamentos. Também diferencio a artrose da artrite reumatoide, que costuma ser inflamatória, simétrica e acometer várias articulações ao mesmo tempo.

A radiografia mostra o estreitamento do espaço articular, os osteófitos e o colapso do carpo, e permite classificar o punho SLAC ou SNAC em estágios (I a IV) — o que define as opções cirúrgicas. A tomografia detalha as articulações acometidas, e a artroscopia do punho pode avaliar diretamente a cartilagem quando há dúvida sobre o estágio.

Opções de tratamento

  1. Tala, Remédios, Terapia e Infiltração (Conservador) — Primeira linha por cerca de 3 a 6 meses: órtese para aliviar a articulação, anti-inflamatórios, terapia de mão e infiltrações nas crises. Aliviam a dor, mas não regeneram a cartilagem.
  2. Denervação do Punho (Minimamente Invasivo) — Corte dos pequenos nervos sensitivos do punho: alivia a dor sem mexer nas articulações nem no movimento. 86% dos punhos não precisaram de nova cirurgia em 4 anos, e 82% dos pacientes fariam de novo.
  3. Carpectomia Proximal ou Artrodese dos Quatro Cantos (Preserva Movimento) — Para o estágio II: retirada da fileira proximal do carpo ou fusão parcial. A carpectomia teve mais extensão e menos dor, com conversão para artrodese total de 5,2% contra 11%.
  4. Artrodese Total ou Prótese (Casos Avançados) — Casos avançados: a artrodese total alivia a dor de forma confiável, com perda do movimento de dobrar e esticar. A prótese preserva movimento em pacientes selecionados de menor demanda.

Quando há cirurgia: duração de 60-150 minutos, anestesia regional (bloqueio do braço), recuperação de 6-12 semanas.

Recuperação

  1. Denervação — Praticamente sem imobilização: retorno às atividades leves em dias a 2 semanas.
  2. Carpectomia Proximal — Tala por 2 a 4 semanas e terapia de mão. Trabalho leve em 6 a 8 semanas; trabalho braçal em 3 a 4 meses.
  3. Artrodeses — Imobilização por 6 a 12 semanas até a consolidação óssea. Trabalho pesado após a fusão confirmada, em geral de 3 a 6 meses.
  4. Prótese do Punho — Imobilização curta (2 a 4 semanas) e terapia, com restrição permanente de cargas pesadas e impacto para proteger o implante.

Perguntas frequentes

A artrose do punho piora com o tempo?
Sim. A artrose por punho SLAC ou SNAC é progressiva e avança por estágios, envolvendo mais articulações com os anos — embora a velocidade varie muito de pessoa para pessoa. Por isso o estadiamento orienta o tratamento.
Dá para evitar a cirurgia?
Muitos pacientes convivem bem por anos com órtese, remédios, terapia de mão e infiltrações, principalmente nos estágios iniciais. Essas medidas aliviam, mas não revertem o desgaste — quando a dor limita o dia a dia, a cirurgia passa a ser considerada.
O que é a denervação do punho?
É uma cirurgia pequena que corta os ramos nervosos sensitivos que levam a dor da articulação, sem mexer nos ossos nem no movimento. Em um estudo multicêntrico com 114 punhos, a dor caiu de 48 para 26 (escala de 0 a 100), 86% não precisaram de nova cirurgia em 4 anos e 82% fariam o procedimento de novo.
Carpectomia proximal ou artrodese dos quatro cantos: qual é melhor?
Uma meta-análise com 3.174 punhos favoreceu a carpectomia em extensão, desvio e dor, com força semelhante e menos conversão para artrodese total (5,2% contra 11%). Em 10 anos, cerca de 94% dos punhos seguem livres de artrodese total com as duas técnicas, mas a artrodese dos quatro cantos teve mais reoperações.
Vou perder o movimento do punho?
Depende da cirurgia. Denervação, carpectomia e artrodese dos quatro cantos preservam um arco de movimento funcional, embora não completo. A artrodese total elimina o movimento de dobrar e esticar o punho, em troca de alívio confiável da dor — o giro do antebraço é mantido.
Existe prótese de punho?
Sim. As próteses modernas aliviam a dor e preservam movimento — em uma série com seguimento médio de 9 anos, a dor caiu de 8,6 para 0,4 e 78% seguiam sem revisão em 15 anos. A durabilidade varia muito conforme o modelo, por isso é reservada a pacientes selecionados, de menor demanda física.
Artrose do punho é o mesmo que artrite reumatoide?
Não. A artrose do punho costuma ser mecânica, pós-traumática e de um lado só, piorando com o uso. A artrite reumatoide é uma doença inflamatória sistêmica, que acomete os dois punhos e várias articulações da mão ao mesmo tempo.
Quando posso voltar a trabalhar?
Varia com a cirurgia e com o trabalho: em dias após a denervação; em 6 a 8 semanas para trabalho leve após a carpectomia; e em 3 a 6 meses para trabalho braçal após as artrodeses.

Referências científicas

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  3. Kwee E, Nieuwdorp NJ, Blaaker C, et al. Durability of wrist denervation for osteoarthritis: a multicentre outcome study. Journal of Hand Surgery (European), 2026.
  4. Larsson SL, Tandrup T, Brogren E, Wilcke MK, Swärd EM. Partial wrist denervation versus patient education and self-managed exercise therapy in patients with wrist osteoarthritis: study protocol for a randomized controlled trial. Trials, 2025.
  5. Hones KM, Hao KA, Rakauskas TR, et al. Four-corner fusion versus proximal row carpectomy for scapholunate advanced collapse and scaphoid nonunion advanced collapse wrist: a systematic review and meta-analysis. Journal of Hand Surgery (American), 2024.
  6. Garcia BN, Lu CC, Stephens AR, et al. Risk of total wrist arthrodesis or reoperation following 4-corner arthrodesis or proximal row carpectomy for stage-II SLAC/SNAC arthritis: a propensity score analysis of 502 wrists. Journal of Bone and Joint Surgery (American), 2020.
  7. Gruisen JAE, Schormans PMJ, Punt IM, et al. Patient reported and functional outcome measures after surgical salvage procedures for posttraumatic radiocarpal osteoarthritis — a systematic review. BMC Musculoskeletal Disorders, 2024.
  8. Boever J, Unglaub F, Wulf J, et al. Conservative and surgical treatment of wrist osteoarthritis: a systematic review. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2026.
  9. Gil JA, Kamal RN, Cone E, Weiss AC. High survivorship and few complications with cementless total wrist arthroplasty at a mean followup of 9 years. Clinical Orthopaedics and Related Research, 2017.
  10. Mandl L, Gruber A, Horch RE, Demir R. Total wrist arthroplasty revisited: survival, function, and patient-reported outcomes of BIAX and Universal II prostheses over 15 years. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2025.

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