Entorse do Punho (Lesão Escafossemilunar) — Tratamento Especializado em São Paulo

Raio-X de lesão escafossemilunar: espaço aumentado entre os ossos escafoide e semilunar do punho
Raio-X de lesão escafossemilunar: espaço aumentado entre os ossos escafoide e semilunar do punho — Fonte: James Heilman, MD / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (adaptada)

Revisado por Dr. Marcelo Teixeira, cirurgião da mão (CRM/SP 230359, RQE 130740) · Atualizado em 27 de setembro de 2026

Entorse do punho é o estiramento ou a ruptura de um dos ligamentos que unem os ossos do carpo. A mais importante é a lesão do ligamento escafossemilunar, que une o escafoide ao semilunar e é o principal estabilizador da fileira proximal do punho. Quando ele se rompe, os dois ossos passam a se mover de forma descoordenada, o que pode levar à artrose do punho (punho SLAC).

O grande problema é que a lesão escafossemilunar costuma ser tratada como 'só uma torção'. A radiografia simples pode vir normal nas lesões parciais ou dinâmicas, e os testes clínicos têm acurácia apenas moderada — o teste de Watson detecta de 50% a 66% das lesões. Por isso, dor no dorso do punho, estalo ou fraqueza que persistem além de 2 semanas merecem investigação com radiografias sob estresse, artrorressonância ou artroscopia. Lesões parciais geralmente melhoram com imobilização; rupturas completas recentes podem ser reparadas; e as crônicas exigem reconstrução. A lesão também acompanha cerca de 1 em cada 3 fraturas do punho.

Lesão do ligamento escafossemilunar: escafoide e semilunar afastados no punho
O ligamento escafossemilunar une o escafoide ao semilunar — quando rompe, os dois ossos se afastam e o punho perde estabilidade

Entorse do Punho (Lesão Escafossemilunar) em números

  • ~1 em 3 fraturas do punho têm lesão associada dos ligamentos do carpo (Fonte: Fowler TP, J Am Acad Orthop Surg, 2019)
  • 41% de lesão escafossemilunar associada à fratura do rádio distal (12 estudos) (Fonte: Kastenberger T et al., Arch Orthop Trauma Surg, 2020)
  • 50-66% sensibilidade do teste de Watson — um exame normal não exclui a lesão (Fonte: Schmauss D et al., Journal of Clinical Medicine, 2022)
  • 94% dos punhos com artrose SLAC operados seguem sem artrodese total em 10 anos (Fonte: Garcia BN et al., J Bone Joint Surg Am, 2020)

Sintomas

  • Dor no Dorso do Punho — Dor na parte de cima do punho, no meio, logo além da saliência do rádio — exatamente sobre o intervalo entre o escafoide e o semilunar.
  • Estalo ou 'Clunk' — Sensação de estalo ou de algo que 'escapa' ao mexer o punho, especialmente ao desviar a mão para o lado do polegar.
  • Fraqueza ao Apoiar e Segurar — Dificuldade para fazer flexão de braço, apoiar-se na mão para levantar ou segurar objetos pesados.
  • Dor que Não Passa Após a 'Torção' — Uma entorse simples melhora em dias a 2 semanas. Dor, inchaço ou estalo que persistem além disso sugerem lesão ligamentar.

Quando se preocupar: Uma entorse simples do punho melhora em poucos dias a 2 semanas. Procure um cirurgião da mão se a dor no dorso do punho, o estalo ou a fraqueza persistirem além disso — principalmente após queda com a mão estendida —, mesmo que o raio-X tenha vindo normal. O diagnóstico precoce permite reparar o ligamento antes que a instabilidade se torne crônica e evolua para artrose.

Causas e fatores de risco

  • Queda com a Mão Estendida — O mecanismo clássico: o punho em extensão e desviado para o lado do dedo mínimo 'abre' o escafoide em relação ao semilunar e rompe o ligamento.
  • Esportes e Quedas de Altura — Skate, futebol, ciclismo, lutas, vôlei e ginástica. Quedas de altura podem causar lesões mais graves, que envolvem vários ligamentos do carpo.
  • Fratura do Punho Associada — Cerca de 1 em cada 3 fraturas do rádio distal vem acompanhada de lesão dos ligamentos escafossemilunar ou semilunopiramidal.
  • Diagnóstico Tardio — Lesões confundidas com 'entorse simples' perdem a janela de reparo e podem evoluir para instabilidade crônica e artrose (punho SLAC).

Como é feito o diagnóstico

Palpo o intervalo escafossemilunar no dorso do punho e faço o teste de Watson (deslocamento do escafoide) e o balotamento escafossemilunar, comparando com o outro lado. Esses testes ajudam, mas têm acurácia moderada: o teste de Watson detecta de 50% a 66% das lesões, então um exame normal não descarta o problema quando a história é sugestiva.

Radiografias de frente, perfil e com o punho cerrado (sob estresse) procuram sinais de instabilidade: afastamento entre escafoide e semilunar maior que 3 mm, sinal do anel cortical e ângulo escafossemilunar acima de 60-70°. Artrorressonância e artrotomografia avaliam rupturas parciais e completas. A artroscopia do punho é o padrão-ouro: gradua a lesão (classificações de Geissler e EWAS) e permite tratá-la no mesmo procedimento.

Opções de tratamento

  1. Imobilização (Lesão Parcial) (Conservador) — Entorses e rupturas parciais com alinhamento normal: tala ou gesso por cerca de 4 a 6 semanas, seguidos de fisioterapia de propriocepção.
  2. Artroscopia: Desbridamento e Capsulodese (Minimamente Invasivo) — Para instabilidades dinâmicas e rupturas parciais de maior grau: desbridamento, capsulodese artroscópica e fixação temporária com fios, por pequenos cortes.
  3. Reparo do Ligamento (Lesão Aguda) (Cirúrgico) — Rupturas completas recentes (até cerca de 6 semanas): reinserção do ligamento com âncoras, geralmente reforçada por capsulodese dorsal.
  4. Reconstrução ou Cirurgia de Salvamento (Crônico) — Lesões crônicas: reconstrução com enxerto de tendão (Brunelli modificado, tenodese de três ligamentos) ou osso-ligamento-osso. Com artrose (punho SLAC): carpectomia proximal ou artrodese dos quatro cantos.

Quando há cirurgia: duração de 60-120 minutos, anestesia regional (bloqueio do braço), recuperação de 8-12 semanas.

Recuperação

  1. 0-6 Semanas — Imobilização (tratamento conservador) ou proteção pós-operatória. Os dedos ficam livres para se mexer.
  2. 6-12 Semanas — Fisioterapia com foco em propriocepção e no 'movimento do arremessador de dardos' — um arco diagonal que quase não movimenta a articulação escafossemilunar e protege o ligamento.
  3. 3-6 Meses — Fortalecimento progressivo e retorno gradual ao trabalho pesado e ao esporte, conforme o tratamento realizado.
  4. Após Reconstrução — A recuperação é mais longa. Alguma perda de movimento é comum, mas a força e a função costumam melhorar de forma importante.

Perguntas frequentes

Disseram que era só uma entorse. Por que ainda dói semanas depois?
Uma entorse simples do punho melhora em dias a 2 semanas. Dor no dorso do punho, estalo ou fraqueza que persistem além disso sugerem lesão de ligamento — principalmente do escafossemilunar —, que pode existir mesmo com raio-X normal.
O raio-X mostra a lesão do ligamento?
Nem sempre. Nas lesões parciais ou dinâmicas, a radiografia comum pode ser normal. Radiografias com o punho cerrado (sob estresse), artrorressonância ou artrotomografia ajudam, e a artroscopia do punho é o padrão-ouro para confirmar e graduar a lesão.
Toda lesão do ligamento escafossemilunar precisa de cirurgia?
Não. Lesões parciais com alinhamento normal dos ossos costumam ser tratadas com imobilização por 4 a 6 semanas. A cirurgia é indicada para rupturas completas, instabilidade e casos que não melhoram com o tratamento conservador.
O que acontece se a lesão não for tratada?
Uma ruptura completa sem tratamento faz o escafoide e o semilunar se moverem de forma descoordenada. Com os anos, isso leva a um padrão previsível de artrose chamado punho SLAC, que começa no rádio e avança para o centro do punho e pode exigir cirurgias de salvamento.
O teste de Watson confirma o diagnóstico?
Não sozinho. Em um estudo com 447 pacientes operados por artroscopia, o teste de Watson teve sensibilidade de 50% a 66% e especificidade de 62%. Ele ajuda, mas um teste negativo não exclui a lesão quando a suspeita clínica é alta.
Vou recuperar o movimento e a força após a cirurgia?
Os reparos e reconstruções costumam devolver boa força e função, embora alguma perda de movimento seja comum. Em uma série de reconstrução osso-ligamento-osso assistida por artroscopia, com mais de 4 anos de acompanhamento, força e movimento melhoraram e não houve progressão para artrose.
E se já houver artrose (punho SLAC)?
Existem duas cirurgias principais que preservam movimento: a carpectomia da fileira proximal e a artrodese dos quatro cantos. Uma meta-análise com 3.174 punhos mostrou mais extensão e alívio da dor com a carpectomia, e menos conversão para artrodese total (5,2% contra 11%). Em 10 anos, cerca de 94% dos punhos continuam livres de artrodese total com as duas técnicas.
Fraturei o punho. Preciso me preocupar com os ligamentos?
Sim. Cerca de 1 em cada 3 fraturas do rádio distal tem lesão associada dos ligamentos escafossemilunar ou semilunopiramidal — em uma revisão de 12 estudos, a lesão escafossemilunar apareceu em 41% dos casos. Dor no dorso do punho que persiste após a consolidação merece avaliação.

Referências científicas

  1. Wessel LE, Wolfe SW. Scapholunate instability: diagnosis and management — classification and treatment considerations, part 2. Journal of Hand Surgery (American), 2023.
  2. Morrell NT, Moyer A, Quinlan N, Shafritz AB. Scapholunate and perilunate injuries in the athlete. Current Reviews in Musculoskeletal Medicine, 2017.
  3. Lui TH, Slocum AMY. Scaphoid shift test in scapholunate ligament injury. New England Journal of Medicine, 2022.
  4. Schmauss D, Pöhlmann S, Weinzierl A, et al. Relevance of the scaphoid shift test for the investigation of scapholunate ligament injuries. Journal of Clinical Medicine, 2022.
  5. Prosser R, Harvey L, Lastayo P, et al. Provocative wrist tests and MRI are of limited diagnostic value for suspected wrist ligament injuries: a cross-sectional study. Journal of Physiotherapy, 2011.
  6. Fowler TP. Intercarpal ligament injuries associated with distal radius fractures. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2019.
  7. Kastenberger T, Kaiser P, Schmidle G, et al. Arthroscopic assisted treatment of distal radius fractures and concomitant injuries. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2020.
  8. Klempka A, Wagner M, Fodor S, et al. Injuries of the scapholunate and lunotriquetral ligaments as well as the TFCC in intra-articular distal radius fractures: prevalence assessed with MDCT arthrography. European Radiology, 2016.
  9. Lameijer CM, Teuben MPJ, van Delft EAK, et al. ESTES recommendations regarding distal radius fractures. European Journal of Trauma and Emergency Surgery, 2026.
  10. Palisch AR, Leinfelder SJ, Bahouth SM, Balzer AR, Hunt TR. Preoperative and postoperative imaging of scapholunate ligament primary repair and modified Brunelli reconstruction. Radiographics, 2021.
  11. van Kampen RJ, Coert JH, Moran SL. Mid-term outcomes of three commonly used surgical reconstructions for scapholunate instability. Journal of Hand Surgery (European), 2024.
  12. Della Rosa N, Bertozzi N, Annoscia P, Adani R. Long-term outcomes of arthroscope-assisted bone-ligament-bone reconstruction for nonstatic scapholunate ligament injury. Plastic and Reconstructive Surgery, 2022.
  13. Hones KM, Hao KA, Rakauskas TR, et al. Four-corner fusion versus proximal row carpectomy for scapholunate advanced collapse and scaphoid nonunion advanced collapse wrist: a systematic review and meta-analysis. Journal of Hand Surgery (American), 2024.
  14. Garcia BN, Lu CC, Stephens AR, et al. Risk of total wrist arthrodesis or reoperation following 4-corner arthrodesis or proximal row carpectomy for stage-II SLAC/SNAC arthritis: a propensity score analysis of 502 wrists. Journal of Bone and Joint Surgery (American), 2020.
  15. Amer KM, Thomson JE, Vosbikian MM, Ahmed I. Four-corner arthrodesis versus proximal row carpectomy for scapholunate advanced collapse: a systematic literature review and meta-analysis. Annals of Plastic Surgery, 2020.

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