Fratura da Mão (Metacarpos e Falanges) — Tratamento Especializado em São Paulo

Raio-X de fratura do boxeador: fratura do colo do quinto metacarpo, abaixo do nó do dedo mínimo
Raio-X de fratura do boxeador: fratura do colo do quinto metacarpo, abaixo do nó do dedo mínimo — Fonte: James Heilman, MD / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (adaptada)

Revisado por Dr. Marcelo Teixeira, cirurgião da mão (CRM/SP 230359, RQE 130740) · Atualizado em 27 de setembro de 2026

A fratura da mão é a quebra de um dos ossos longos da palma (metacarpos) ou dos ossos dos dedos (falanges). É uma das fraturas mais comuns do corpo: os metacarpos respondem por cerca de 18% das fraturas abaixo do cotovelo, e a fratura do boxeador — do colo do quinto metacarpo — por cerca de 20% das fraturas da mão. A maioria é tratada sem cirurgia.

O tratamento depende menos do raio-X e mais de três perguntas: o dedo gira (cruza o vizinho ao fechar a mão)? O osso encurtou? A fratura entra na articulação? Fraturas estáveis — como a maioria das fraturas do boxeador — têm resultado excelente com tratamento funcional: esparadrapagem com o dedo vizinho, tala curta e movimento precoce. Em um registro sueco com mais de 21 mil fraturas de dedos, 86% foram tratadas sem cirurgia, sem prejuízo da função a longo prazo. Já a rotação, o encurtamento maior que 5 mm, as fraturas múltiplas, as expostas e as da base do polegar (Bennett e Rolando) precisam de fixação — hoje com técnicas minimamente invasivas, como parafusos intramedulares sem cabeça, que permitem mexer a mão cedo.

Fratura do boxeador: quebra do colo do quinto metacarpo, abaixo do nó do dedo mínimo
Fratura do boxeador: quebra do colo do quinto metacarpo, logo abaixo do nó do dedo mínimo

Fratura da Mão (Metacarpos e Falanges) em números

  • ~20% das fraturas da mão são a fratura do boxeador (colo do 5º metacarpo) (Fonte: Poolman RW et al., Cochrane Database of Systematic Reviews, 2005)
  • 86% das fraturas dos dedos são tratadas sem cirurgia (Fonte: Alfort H et al., PLoS One, 2023 (21.341 fraturas))
  • 17% das fraturas dos dedos em adultos são expostas (com ferida) (Fonte: Alfort H et al., PLoS One, 2023)
  • ~18% das fraturas abaixo do cotovelo acometem os metacarpos (Fonte: Dyrna FGE et al., BMC Musculoskeletal Disorders, 2021)

Sintomas

  • Dor, Inchaço e Hematoma — Dor forte e inchaço no dorso da mão ou no dedo logo após o trauma, com manchas roxas nas horas seguintes.
  • Dedo que Cruza o Vizinho — Ao fechar a mão, um dedo 'cruza' por cima do outro (desvio rotacional) — sinal de que a fratura precisa ser corrigida.
  • Nó do Dedo Afundado — Na fratura do boxeador, o nó do dedo mínimo 'desaparece' ou fica afundado, e o dedo pode parecer mais curto.
  • Ferida Após Soco — Um corte sobre o nó do dedo após socar a boca de alguém é uma 'mordida humana' — alto risco de infecção da articulação e do osso.

Quando se preocupar: Procure atendimento no mesmo dia se houver ferida aberta sobre a fratura — principalmente um corte no nó do dedo após um soco —, dedo frio ou dormente, ou dedo que cruza o vizinho ao fechar a mão. Fraturas da base do polegar e fraturas que entram na articulação também devem ser avaliadas por um cirurgião da mão nos primeiros dias.

Causas e fatores de risco

  • Soco — Socar uma parede, um objeto ou outra pessoa é a causa clássica da fratura do boxeador, mais comum em homens jovens.
  • Quedas — Quedas causam cerca de 29% das fraturas dos dedos em adultos, segundo o registro sueco de fraturas.
  • Esmagamento e Acidentes de Trabalho — Portas, máquinas e objetos pesados causam 17% das fraturas dos dedos — muitas vezes expostas e com lesão de tendões.
  • Esportes com Bola — Vôlei, basquete, handebol e futebol são a principal causa de fraturas das falanges em crianças e adolescentes.

Como é feito o diagnóstico

Peço para o paciente fechar a mão devagar: todos os dedos devem apontar para a base do polegar, sem cruzar os vizinhos. Qualquer rotação, mesmo pequena, muda o tratamento. Também avalio o encurtamento, os tendões, a circulação, a sensibilidade e a pele — especialmente feridas no nó dos dedos.

Radiografias em três incidências (frente, perfil e oblíqua) mostram o tipo de fratura, a angulação, o encurtamento e se ela entra na articulação. A tomografia fica para fraturas articulares, como as da base do polegar (Bennett e Rolando) ou fraturas cominutas dos dedos, para planejar a cirurgia.

Opções de tratamento

  1. Tratamento Funcional (Fratura Estável) (Conservador) — Esparadrapagem com o dedo vizinho, tala curta e movimento precoce por 2 a 3 semanas. É o tratamento de escolha para a maioria das fraturas do boxeador, com resultados excelentes e menos complicações que a cirurgia.
  2. Redução e Gesso ou Tala (Conservador) — Fraturas com angulação maior são colocadas no lugar e imobilizadas. Nenhum tipo de imobilização se mostrou superior ao outro para a fratura do boxeador (Cochrane).
  3. Parafuso Intramedular ou Fios (Minimamente Invasivo) — Fraturas rodadas, encurtadas mais de 5 mm, múltiplas ou instáveis: fixação por pequenos cortes, muitas vezes com anestesia local (WALANT), permitindo movimento precoce.
  4. Placa e Parafusos (Cirúrgico) — Fraturas complexas ou articulares, incluindo as da base do polegar: fixação rígida que restaura o alinhamento — força de preensão de 96,7% do lado normal em fraturas instáveis do metacarpo.

Quando há cirurgia: duração de 30-90 minutos, anestesia local (walant) ou regional, recuperação de 4-8 semanas.

Recuperação

  1. 0-3 Semanas — Esparadrapagem ou tala, com movimento dos dedos o mais cedo possível para evitar rigidez. Após parafuso intramedular, o movimento costuma começar em poucos dias.
  2. 3-6 Semanas — Retirada da proteção e ganho de movimento com terapia de mão. Atividades leves liberadas.
  3. 6-8 Semanas — Consolidação confirmada na radiografia; liberação para trabalho braçal e esportes de contato.
  4. Após 2-3 Meses — Recuperação completa da força na maioria dos casos. As fraturas dos dedos, em geral, não prejudicam a função da mão a longo prazo.

Perguntas frequentes

Toda fratura da mão precisa de cirurgia?
Não. Em um registro com mais de 21 mil fraturas dos dedos, 86% foram tratadas sem cirurgia. A cirurgia é reservada para fraturas rodadas, encurtadas, instáveis, múltiplas, expostas ou que entram na articulação.
A fratura do boxeador precisa ser operada?
Na maioria das vezes, não. Uma revisão Cochrane não encontrou vantagem de um tipo de imobilização sobre outro, e uma meta-análise de ensaios clínicos mostrou que o tratamento conservador tem a menor taxa de complicações. A cirurgia fica para angulação muito grande, rotação ou fratura exposta.
Vou ficar com o nó do dedo afundado?
Pode acontecer. Após a fratura do boxeador tratada sem cirurgia, o nó do dedo mínimo pode ficar menos saliente. Na grande maioria dos casos isso é apenas estético e não atrapalha a força nem o movimento.
Por que meu dedo cruza o outro quando fecho a mão?
É o desvio rotacional: a fratura consolidou ou está girada. Ele não se corrige sozinho e atrapalha a preensão, por isso precisa ser corrigido — mesmo quando a angulação no raio-X parece pequena.
Por que a fratura da base do polegar é operada mais vezes?
As fraturas de Bennett e Rolando entram na articulação da base do polegar, que é muito móvel e recebe muita carga. O músculo abdutor puxa o osso para fora do lugar, e um pequeno degrau que sobre pode causar artrose e instabilidade. Por isso, a fixação cirúrgica costuma ser indicada.
Meu dedo vai ficar rígido?
A rigidez é o principal risco, principalmente nas fraturas das falanges, porque os tendões correm colados ao osso. Por isso priorizamos o movimento precoce, com esparadrapagem, técnicas de fixação minimamente invasivas e terapia de mão.
Cortei o nó do dedo dando um soco. É grave?
Sim. Uma ferida sobre o nó do dedo após um soco na boca é uma 'mordida humana': as bactérias da boca podem infectar a articulação e o osso. Precisa de limpeza cirúrgica e antibiótico no mesmo dia — nunca deve ser simplesmente suturada.
Quando posso voltar a treinar ou trabalhar?
Atividades leves costumam ser retomadas em dias a poucas semanas. Trabalho braçal pesado e esportes de contato, como boxe e muay thai, geralmente após a consolidação confirmada, por volta de 6 a 8 semanas.

Referências científicas

  1. Poolman RW, Goslings JC, Lee JB, et al. Conservative treatment for closed fifth (small finger) metacarpal neck fractures. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2005.
  2. Alfort H, Von Kieseritzky J, Wilcke M. Finger fractures: epidemiology and treatment based on 21341 fractures from the Swedish Fracture Register. PLoS One, 2023.
  3. Zong SL, Zhao G, Su LX, et al. Treatments for the fifth metacarpal neck fractures: a network meta-analysis of randomized controlled trials. Medicine, 2016.
  4. van Aaken J, Fusetti C, Luchina S, et al. Fifth metacarpal neck fractures treated with soft wrap/buddy taping compared to reduction and casting: results of a prospective, multicenter, randomized trial. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2016.
  5. MacDermid JC, McClure JA, Richard L, Faber KJ, Jaglal S. Fracture profiles of a 4-year cohort of 266,324 first incident upper extremity fractures from population health data in Ontario. BMC Musculoskeletal Disorders, 2021.
  6. Arneitz C, Bartik C, Weitzer CU, et al. Distribution and pattern of hand fractures in children and adolescents. European Journal of Pediatrics, 2023.
  7. Dyrna FGE, Avery DM, Yoshida R, et al. Metacarpal shaft fixation: a biomechanical comparison of dorsal plating, lag screws, and headless compression screws. BMC Musculoskeletal Disorders, 2021.
  8. Kuşcu B, Kınaş M. Intramedullary headless compression screw fixation for metacarpal fractures: a retrospective clinical and radiological study. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2026.
  9. Çatal T, Bayrak A, Tıngır M, et al. Comparison of closed reduction percutaneous pinning vs. open reduction plate-screw fixation techniques in unstable metacarpal shaft fractures. European Journal of Trauma and Emergency Surgery, 2026.
  10. Tang Y, Mu Z, Chen X, et al. Transverse inter-metacarpal K-wire with Nice-knot augmentation versus mini-plate fixation for second–fifth metacarpal shaft fractures: a single-center retrospective cohort study. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2025.

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