Fratura da Mão (Metacarpos e Falanges) — Tratamento Especializado em São Paulo

Revisado por Dr. Marcelo Teixeira, cirurgião da mão (CRM/SP 230359, RQE 130740) · Atualizado em 27 de setembro de 2026
A fratura da mão é a quebra de um dos ossos longos da palma (metacarpos) ou dos ossos dos dedos (falanges). É uma das fraturas mais comuns do corpo: os metacarpos respondem por cerca de 18% das fraturas abaixo do cotovelo, e a fratura do boxeador — do colo do quinto metacarpo — por cerca de 20% das fraturas da mão. A maioria é tratada sem cirurgia.
O tratamento depende menos do raio-X e mais de três perguntas: o dedo gira (cruza o vizinho ao fechar a mão)? O osso encurtou? A fratura entra na articulação? Fraturas estáveis — como a maioria das fraturas do boxeador — têm resultado excelente com tratamento funcional: esparadrapagem com o dedo vizinho, tala curta e movimento precoce. Em um registro sueco com mais de 21 mil fraturas de dedos, 86% foram tratadas sem cirurgia, sem prejuízo da função a longo prazo. Já a rotação, o encurtamento maior que 5 mm, as fraturas múltiplas, as expostas e as da base do polegar (Bennett e Rolando) precisam de fixação — hoje com técnicas minimamente invasivas, como parafusos intramedulares sem cabeça, que permitem mexer a mão cedo.

Fratura da Mão (Metacarpos e Falanges) em números
- ~20% das fraturas da mão são a fratura do boxeador (colo do 5º metacarpo) (Fonte: Poolman RW et al., Cochrane Database of Systematic Reviews, 2005)
- 86% das fraturas dos dedos são tratadas sem cirurgia (Fonte: Alfort H et al., PLoS One, 2023 (21.341 fraturas))
- 17% das fraturas dos dedos em adultos são expostas (com ferida) (Fonte: Alfort H et al., PLoS One, 2023)
- ~18% das fraturas abaixo do cotovelo acometem os metacarpos (Fonte: Dyrna FGE et al., BMC Musculoskeletal Disorders, 2021)
Sintomas
- Dor, Inchaço e Hematoma — Dor forte e inchaço no dorso da mão ou no dedo logo após o trauma, com manchas roxas nas horas seguintes.
- Dedo que Cruza o Vizinho — Ao fechar a mão, um dedo 'cruza' por cima do outro (desvio rotacional) — sinal de que a fratura precisa ser corrigida.
- Nó do Dedo Afundado — Na fratura do boxeador, o nó do dedo mínimo 'desaparece' ou fica afundado, e o dedo pode parecer mais curto.
- Ferida Após Soco — Um corte sobre o nó do dedo após socar a boca de alguém é uma 'mordida humana' — alto risco de infecção da articulação e do osso.
Quando se preocupar: Procure atendimento no mesmo dia se houver ferida aberta sobre a fratura — principalmente um corte no nó do dedo após um soco —, dedo frio ou dormente, ou dedo que cruza o vizinho ao fechar a mão. Fraturas da base do polegar e fraturas que entram na articulação também devem ser avaliadas por um cirurgião da mão nos primeiros dias.
Causas e fatores de risco
- Soco — Socar uma parede, um objeto ou outra pessoa é a causa clássica da fratura do boxeador, mais comum em homens jovens.
- Quedas — Quedas causam cerca de 29% das fraturas dos dedos em adultos, segundo o registro sueco de fraturas.
- Esmagamento e Acidentes de Trabalho — Portas, máquinas e objetos pesados causam 17% das fraturas dos dedos — muitas vezes expostas e com lesão de tendões.
- Esportes com Bola — Vôlei, basquete, handebol e futebol são a principal causa de fraturas das falanges em crianças e adolescentes.
Como é feito o diagnóstico
Peço para o paciente fechar a mão devagar: todos os dedos devem apontar para a base do polegar, sem cruzar os vizinhos. Qualquer rotação, mesmo pequena, muda o tratamento. Também avalio o encurtamento, os tendões, a circulação, a sensibilidade e a pele — especialmente feridas no nó dos dedos.
Radiografias em três incidências (frente, perfil e oblíqua) mostram o tipo de fratura, a angulação, o encurtamento e se ela entra na articulação. A tomografia fica para fraturas articulares, como as da base do polegar (Bennett e Rolando) ou fraturas cominutas dos dedos, para planejar a cirurgia.
Opções de tratamento
- Tratamento Funcional (Fratura Estável) (Conservador) — Esparadrapagem com o dedo vizinho, tala curta e movimento precoce por 2 a 3 semanas. É o tratamento de escolha para a maioria das fraturas do boxeador, com resultados excelentes e menos complicações que a cirurgia.
- Redução e Gesso ou Tala (Conservador) — Fraturas com angulação maior são colocadas no lugar e imobilizadas. Nenhum tipo de imobilização se mostrou superior ao outro para a fratura do boxeador (Cochrane).
- Parafuso Intramedular ou Fios (Minimamente Invasivo) — Fraturas rodadas, encurtadas mais de 5 mm, múltiplas ou instáveis: fixação por pequenos cortes, muitas vezes com anestesia local (WALANT), permitindo movimento precoce.
- Placa e Parafusos (Cirúrgico) — Fraturas complexas ou articulares, incluindo as da base do polegar: fixação rígida que restaura o alinhamento — força de preensão de 96,7% do lado normal em fraturas instáveis do metacarpo.
Quando há cirurgia: duração de 30-90 minutos, anestesia local (walant) ou regional, recuperação de 4-8 semanas.
Recuperação
- 0-3 Semanas — Esparadrapagem ou tala, com movimento dos dedos o mais cedo possível para evitar rigidez. Após parafuso intramedular, o movimento costuma começar em poucos dias.
- 3-6 Semanas — Retirada da proteção e ganho de movimento com terapia de mão. Atividades leves liberadas.
- 6-8 Semanas — Consolidação confirmada na radiografia; liberação para trabalho braçal e esportes de contato.
- Após 2-3 Meses — Recuperação completa da força na maioria dos casos. As fraturas dos dedos, em geral, não prejudicam a função da mão a longo prazo.
Perguntas frequentes
- Toda fratura da mão precisa de cirurgia?
- Não. Em um registro com mais de 21 mil fraturas dos dedos, 86% foram tratadas sem cirurgia. A cirurgia é reservada para fraturas rodadas, encurtadas, instáveis, múltiplas, expostas ou que entram na articulação.
- A fratura do boxeador precisa ser operada?
- Na maioria das vezes, não. Uma revisão Cochrane não encontrou vantagem de um tipo de imobilização sobre outro, e uma meta-análise de ensaios clínicos mostrou que o tratamento conservador tem a menor taxa de complicações. A cirurgia fica para angulação muito grande, rotação ou fratura exposta.
- Vou ficar com o nó do dedo afundado?
- Pode acontecer. Após a fratura do boxeador tratada sem cirurgia, o nó do dedo mínimo pode ficar menos saliente. Na grande maioria dos casos isso é apenas estético e não atrapalha a força nem o movimento.
- Por que meu dedo cruza o outro quando fecho a mão?
- É o desvio rotacional: a fratura consolidou ou está girada. Ele não se corrige sozinho e atrapalha a preensão, por isso precisa ser corrigido — mesmo quando a angulação no raio-X parece pequena.
- Por que a fratura da base do polegar é operada mais vezes?
- As fraturas de Bennett e Rolando entram na articulação da base do polegar, que é muito móvel e recebe muita carga. O músculo abdutor puxa o osso para fora do lugar, e um pequeno degrau que sobre pode causar artrose e instabilidade. Por isso, a fixação cirúrgica costuma ser indicada.
- Meu dedo vai ficar rígido?
- A rigidez é o principal risco, principalmente nas fraturas das falanges, porque os tendões correm colados ao osso. Por isso priorizamos o movimento precoce, com esparadrapagem, técnicas de fixação minimamente invasivas e terapia de mão.
- Cortei o nó do dedo dando um soco. É grave?
- Sim. Uma ferida sobre o nó do dedo após um soco na boca é uma 'mordida humana': as bactérias da boca podem infectar a articulação e o osso. Precisa de limpeza cirúrgica e antibiótico no mesmo dia — nunca deve ser simplesmente suturada.
- Quando posso voltar a treinar ou trabalhar?
- Atividades leves costumam ser retomadas em dias a poucas semanas. Trabalho braçal pesado e esportes de contato, como boxe e muay thai, geralmente após a consolidação confirmada, por volta de 6 a 8 semanas.
Referências científicas
- Poolman RW, Goslings JC, Lee JB, et al. Conservative treatment for closed fifth (small finger) metacarpal neck fractures. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2005.
- Alfort H, Von Kieseritzky J, Wilcke M. Finger fractures: epidemiology and treatment based on 21341 fractures from the Swedish Fracture Register. PLoS One, 2023.
- Zong SL, Zhao G, Su LX, et al. Treatments for the fifth metacarpal neck fractures: a network meta-analysis of randomized controlled trials. Medicine, 2016.
- van Aaken J, Fusetti C, Luchina S, et al. Fifth metacarpal neck fractures treated with soft wrap/buddy taping compared to reduction and casting: results of a prospective, multicenter, randomized trial. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2016.
- MacDermid JC, McClure JA, Richard L, Faber KJ, Jaglal S. Fracture profiles of a 4-year cohort of 266,324 first incident upper extremity fractures from population health data in Ontario. BMC Musculoskeletal Disorders, 2021.
- Arneitz C, Bartik C, Weitzer CU, et al. Distribution and pattern of hand fractures in children and adolescents. European Journal of Pediatrics, 2023.
- Dyrna FGE, Avery DM, Yoshida R, et al. Metacarpal shaft fixation: a biomechanical comparison of dorsal plating, lag screws, and headless compression screws. BMC Musculoskeletal Disorders, 2021.
- Kuşcu B, Kınaş M. Intramedullary headless compression screw fixation for metacarpal fractures: a retrospective clinical and radiological study. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2026.
- Çatal T, Bayrak A, Tıngır M, et al. Comparison of closed reduction percutaneous pinning vs. open reduction plate-screw fixation techniques in unstable metacarpal shaft fractures. European Journal of Trauma and Emergency Surgery, 2026.
- Tang Y, Mu Z, Chen X, et al. Transverse inter-metacarpal K-wire with Nice-knot augmentation versus mini-plate fixation for second–fifth metacarpal shaft fractures: a single-center retrospective cohort study. Archives of Orthopaedic and Trauma Surgery, 2025.
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